Ribeirão Preto, uma cidade no interior de São Paulo, se consolidou como um centro de destaque na reprodução assistida brasileira. A cidade guarda uma parcela significativa dos embriões congelados do país. Dados da Anvisa, coletados entre 2020 e 2025, indicam que um em cada seis embriões criopreservados no Brasil está em Ribeirão Preto. Este volume, que ultrapassa 113 mil unidades, faz com que o município responda por 16,5% de todo o estoque nacional. A cidade também concentra 24,1% dos embriões da região Sudeste e 31,1% do estado de São Paulo, o maior mercado do país.
Este cenário mostra uma mudança importante. As pessoas buscam cada vez mais a reprodução assistida, não só para resolver problemas de infertilidade, mas também como uma forma de planejar suas vidas.
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Entenda o que são embriões congelados
Muitas pessoas se perguntam como os embriões congelados funcionam. Eles são o resultado de um processo chamado Fertilização In Vitro, onde o óvulo e o espermatozoide se encontram em laboratório. Depois disso, o embrião é armazenado em tanques com nitrogênio líquido, a uma temperatura muito baixa, de -196°C. Essa técnica paralisa a atividade biológica das células, impedindo que o embrião envelheça. Assim, ele fica “congelado no tempo” e mantém sua qualidade original intacta até que a família decida iniciar uma gestação. Portanto, essa tecnologia oferece uma janela de tempo para quem sonha em ter filhos.
Crescimento dos embriões congelados no Brasil
O volume de embriões congelados no Brasil aumentou muito nos últimos anos. Em 2015, o país tinha cerca de 67 mil embriões armazenados. Uma década depois, em 2025, este número deve chegar a quase 690 mil. Isso representa um aumento de mais de dez vezes. Essa alta mostra uma transformação na forma como as famílias, e especialmente as mulheres, passaram a planejar a maternidade. Além disso, a tecnologia se tornou mais acessível, o que contribui para essa expansão. Por consequência, a reprodução assistida deixou de ser uma exceção para se tornar uma opção para muitos.
Planejamento de vida com embriões congelados
Antigamente, a reprodução assistida era procurada quase sempre por casais com dificuldades para engravidar. Hoje, a realidade é diferente. A preservação da fertilidade se tornou uma ferramenta de autonomia. Mulheres, por exemplo, decidem congelar seus óvulos para adequar a maternidade aos seus projetos de carreira ou de vida pessoal. A engenheira química Nélia Alves de Paula, de 40 anos, fez essa escolha há três anos. Ela decidiu congelar seus óvulos após o fim de um relacionamento e percebeu que o tempo biológico avançava. Nélia relata que sempre sonhou em ser mãe e que o congelamento a deixou mais perto desse sonho, pois ela priorizou a carreira e os estudos.
