Reclamações sobre imóveis abandonados em Campinas aumentam 135% no Centro

Queixas sobre imóveis abandonados em Campinas dispararam 135% no Centro, gerando insegurança e risco de dengue para moradores. A prefeitura age para resolver.

As queixas sobre imóveis abandonados em Campinas tiveram um aumento expressivo. O serviço 156 da prefeitura registrou um salto de 135% nas reclamações sobre prédios e terrenos vazios no Centro. Isso significa mais de 140 registros em apenas um ano. Moradores da região sentem os efeitos diretos dessa situação, relatando insegurança e sérios riscos à saúde, principalmente a proliferação do mosquito da dengue. Portanto, o problema afeta diretamente a qualidade de vida de quem vive e trabalha por ali.

Entre 2024 e 2025, as queixas gerais de abandono subiram de 62 para 146. Além disso, os pedidos de vistoria por risco de dengue em imóveis desocupados também cresceram, passando de 128 para 136 no mesmo período. Já no início de 2026, de janeiro a março, a prefeitura recebeu 66 novas queixas sobre abandono e 31 solicitações de vistoria por conta do mosquito. Estes números mostram a escalada do problema e a preocupação constante da população.

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Imóveis Abandonados em Campinas: Preocupação dos Moradores

Quem mora em bairros próximos ao Centro, como Botafogo e Cambuí, relata que a situação dos imóveis abandonados em Campinas é alarmante. Muitos desses locais apresentam pichações, janelas quebradas, acúmulo de lixo e mato alto. Consequentemente, esses espaços se tornam focos de diversos problemas. Em alguns casos, pessoas em situação de rua utilizam esses imóveis, enquanto outros viram depósitos de entulho.

Claudomiro Costa, empresário e morador do Botafogo há quase 50 anos, descreve a situação de um imóvel na Rua Delfino Sintra. Ele comenta sobre a presença de moradores de rua, confusões e a sensação de que as denúncias, mesmo feitas ao 156, não resultam em soluções efetivas. Dessa forma, a comunidade se sente desamparada diante do cenário.

Riscos à Saúde e Insegurança nos Terrenos Vazios

O risco de doenças é outra grande preocupação. Reginaldo de Andrade, economista e morador do Cambuí, já enfrentou a dengue duas vezes, uma delas de forma hemorrágica. Ele observa um terreno abandonado por uma construtora perto de sua casa e relata a presença constante de mosquitos. Assim, em certos horários, ele não consegue manter as janelas abertas. Isso demonstra o perigo real que os imóveis abandonados em Campinas representam para a saúde pública.

A proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya, encontra nos terrenos e prédios abandonados um ambiente ideal para se reproduzir. Água parada em calhas entupidas, pneus velhos, vasos de plantas e outros recipientes se tornam criadouros. Portanto, a falta de manutenção nesses locais contribui diretamente para surtos de doenças na cidade.

Ações da Prefeitura para Imóveis Abandonados

A Prefeitura de Campinas, por meio de nota, esclarece como lida com as denúncias recebidas pelo serviço 156. As queixas são direcionadas às secretarias responsáveis. Por exemplo, casos de acúmulo de água vão para a Secretaria de Saúde. Já as ocorrências de mato alto e sujeira são encaminhadas para os Serviços Públicos. A administração busca, assim, dar uma resposta organizada às demandas da população.

Quando um proprietário é identificado, a prefeitura o intima a resolver o problema em até 15 dias. Se as providências não são tomadas, uma nova notificação é emitida, seguida por multa. Contudo, se o dono do imóvel não é localizado, a prefeitura inicia os trâmites judiciais. O objetivo é conseguir uma autorização para entrar no local e realizar a limpeza necessária. Dessa forma, a administração busca minimizar os impactos dos imóveis abandonados, mesmo diante da dificuldade de contato com os responsáveis.