A Prefeitura de Osasco jogou fora centenas de livros de uma biblioteca pública importante, a Monteiro Lobato, localizada na Grande São Paulo. Este descarte de livros em Osasco ocorreu bem na semana mundial do livro, e a ação gerou muita insatisfação entre moradores, escritores e professores da cidade. Imagens chocantes mostram vários exemplares em caçambas de lixo, o que rapidamente fez muita gente questionar a decisão da administração municipal. A prefeitura, por sua vez, alegou que os materiais estavam contaminados por fungos e mofo, justificando assim o ato.
Biblioteca Fechada e em Abandono
A Biblioteca Monteiro Lobato está fechada ao público desde 2020. Naquela época, as atividades foram interrompidas por conta da pandemia de Covid-19. Desde então, o local, que antes era um ponto de referência para leitura, estudo e eventos culturais, permaneceu sem acesso à população. Além disso, o prédio mostra claros sinais de abandono. Moradores da região relatam que, após o fechamento, muitos livros, jornais e documentos históricos, que registram a memória da cidade, foram guardados em uma sala. Infelizmente, eles ficaram lá por anos, sem a manutenção e o cuidado necessários.
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Entre os materiais jogados fora na semana passada estavam obras de autores locais, livros de poesia e coleções antigas de jornais. A professora Juliana Gomes Curvelo expressou sua profunda tristeza com a situação. Ela ressaltou: “Essa biblioteca não teve nenhuma compra de livros durante toda a sua existência. Todos os livros que estão aqui, eles foram doados.” Ela também destacou a riqueza do acervo: “Tem muita história que foi guardada aqui dos próprios osasquenses, livros de poesia, um acervo gigantesco que foi jogado fora, os jornais da cidade antigos também, é um acervo riquíssimo.”
Controvérsia sobre o Descarte de Livros em Osasco
A principal justificativa da prefeitura para o descarte de livros em Osasco foi a contaminação por fungos e mofo. Contudo, a população local duvida seriamente dessa versão oficial. Moradores flagraram a retirada do material da biblioteca. O sociólogo Roque Aparecido da Silva, que presenciou a cena, descreveu o que viu: “Eles estavam com uma caçamba já lotada de livros, uma outra caçamba com um pouco, e um monte de livro jogado pelo chão”.
Ele questiona abertamente a alegação da prefeitura: “Os livros estavam realmente com fungos? Deu pra ver? Olha, eu tenho certeza que poderia ser que alguns estivessem, mas a maioria com certeza não”, afirmou Silva. Essa dúvida aumenta a indignação, pois muitos acreditam que grande parte do acervo poderia ter sido salva, restaurada ou mesmo doada. Portanto, a falta de transparência gera ainda mais questionamentos sobre a gestão do patrimônio e o processo de descarte.
Reformas Prometidas e a Realidade Atual
Uma reforma na biblioteca teve início em setembro de 2023. A promessa era concluir a obra e entregar o espaço revitalizado em fevereiro de 2024. No entanto, a reforma não terminou no prazo, e o prédio continua fechado. A prefeitura, até o momento, não deu explicações públicas sobre o atraso. Além disso, moradores informam que um novo contrato de reforma foi assinado, mesmo com a obra anterior ainda sem conclusão. Este novo documento, datado de março deste ano, prevê um investimento de mais de R$ 1,5 milhão para serviços de manutenção e adequação do espaço.
Entre as melhorias esperadas estão a reforma do telhado, da parte elétrica, uma nova pintura, novos forros, adequação para acessibilidade e a criação de um auditório. O prazo para finalizar esses trabalhos é de até 120 dias, com chance de prorrogação. Mesmo assim, quem passa pelo local não encontra placas ou qualquer tipo de informação sobre o andamento das obras. Em 2023, o programa Bom Dia São Paulo já havia mostrado a situação de abandono do prédio. Assim, a situação de descaso com a Biblioteca Monteiro Lobato e a forma como o descarte de livros em Osasco foi conduzido parecem fazer parte de um problema maior e mais antigo. A comunidade espera respostas e ações concretas para o futuro da cultura na cidade.
