Operação da Polícia Civil e MP mira sequestro de criptoativos em SP

Operação conjunta em São Paulo prende suspeitos de sequestrar operador de criptoativos. O crime está ligado a uma tentativa de lavagem de R$ 70,8 milhões, parte de um furto milionário contra o Banco Itaú.

Sequestro de criptoativos: Operação policial prende grupo em São Paulo

Uma ação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil paulista resultou na prisão de suspeitos de envolvimento em um sequestro de criptoativos. O crime, que ocorreu em fevereiro do ano passado, teve como alvo um operador de moedas digitais. As investigações revelam que a motivação para a ação violenta foi uma tentativa frustrada de “lavar” R$ 70,8 milhões, dinheiro que seria parte de um furto de R$ 146 milhões contra o Banco Itaú e que acabou bloqueado por instituições financeiras. No total, a operação cumpriu seis mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão.

A polícia agiu com o objetivo de desmantelar a organização criminosa responsável pelo ataque. As apurações, conduzidas pelo 34º Distrito Policial do Morumbi, mostraram a complexidade do esquema. Os criminosos buscavam reverter o bloqueio dos valores e, por isso, sequestraram o especialista em ativos digitais. Este tipo de crime, envolvendo moedas virtuais, se torna cada vez mais comum e desafia as autoridades.

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Como o sequestro de criptoativos foi planejado e executado

O inquérito detalha a dinâmica do sequestro. A vítima foi abordada no Shopping Cidade Jardim, um local movimentado em São Paulo, e levada para um sítio em Santa Isabel, na Grande São Paulo. Durante o cativeiro, o operador de criptomoedas sofreu agressões e ameaças constantes. Segundo as investigações, os criminosos simularam a venda de um site de apostas para justificar as transferências que pretendiam realizar. Eles coagiram a vítima a fornecer senhas bancárias e de seus aparelhos celulares, buscando acesso aos seus ativos.

Para intimidar o corretor, os suspeitos fizeram menções a supostas ligações com a facção criminosa PCC. A pressão era grande, portanto, o objetivo era forçar a vítima a colaborar. A extração de dados de celulares apreendidos foi crucial para a polícia. As informações revelaram um planejamento prévio do crime, incluindo mensagens que mostravam o monitoramento detalhado do corretor antes do sequestro. Além disso, os criminosos usavam veículos de luxo para as ações, como indicam as comunicações.

Investigação revela elos e histórico dos suspeitos no sequestro de criptoativos

A apuração da Polícia Civil e do Ministério Público trouxe à tona detalhes importantes sobre os envolvidos. Entre os investigados, há um Guarda Civil Municipal (GCM), cujas comunicações apreendidas detalham o uso de carros caros e o plano de “dar um pau” na vítima, uma gíria para agredir. Isso mostra o nível de organização e a participação de agentes públicos no esquema, o que agrava a situação.

O chefe do grupo criminoso, por exemplo, já era conhecido das autoridades. Ele havia sido alvo de outras operações da Polícia Federal e do CyberGaeco por fraudes eletrônicas de natureza similar. Esse histórico reforça a tese de que se trata de uma quadrilha especializada em crimes cibernéticos e financeiros. A polícia solicitou a prisão temporária dos envolvidos por 30 dias, considerando a medida essencial para a segurança da vítima e para a continuidade das investigações. Além das prisões e buscas, foi pedida a quebra do sigilo de mensagens para mapear a estrutura completa da organização criminosa e identificar todos os seus membros.

A luta contra o sequestro de criptoativos e fraudes financeiras exige vigilância constante e ações coordenadas das forças de segurança. Esta operação é um passo importante para combater esse tipo de criminalidade em ascensão.