Morte de Thawanna Salmázio: Policial justifica falta de socorro

Entenda o caso da morte de Thawanna Salmázio, baleada por uma PM em São Paulo. O policial envolvido justificou a falta de socorro à vítima, alegando ter apenas uma gaze na viatura. O caso levanta questões sobre os procedimentos de emergência e a conduta policial.

Uma mulher morreu em São Paulo após ser baleada por uma policial militar. O caso aconteceu na Zona Leste e gerou repercussão. Agora, um dos policiais envolvidos na morte por PM justificou a falta de socorro à vítima. Ele alegou que não prestou os primeiros atendimentos porque a viatura possuía apenas uma gaze. Esta declaração foi dada à Corregedoria da Polícia Militar. Ela levanta questionamentos sobre os procedimentos de emergência.

Detalhes do Incidente na Zona Leste

O episódio que terminou com a morte de Thawanna Salmázio aconteceu em 3 de abril. Ela caminhava de mãos dadas com seu marido, Luciano Gonçalvez dos Santos, por uma rua estreita na Zona Leste de São Paulo. Uma viatura da Polícia Militar passou pelo local. Conforme relatos, a confusão começou quando o retrovisor do carro atingiu Luciano. O policial Weden Silva Soares, que dirigia a viatura, deu ré e iniciou uma discussão com o casal. Em seguida, a soldado Yasmin Cursino Ferreira estava no banco do passageiro. Ela desceu do veículo e também começou a discutir com Thawanna. A situação piorou rapidamente, e Yasmin atirou contra a mulher. Esta sequência de eventos levantou sérias preocupações sobre a conduta policial.

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O Policial e a Justificativa da Falta de Ajuda

No depoimento obtido pela TV Globo, Weden Silva Soares explicou sua conduta após o disparo. Ele disse que se aproximou de Thawanna para verificar se havia sangramento. Contudo, ele não identificou uma hemorragia intensa. Além disso, afirmou que a viatura tinha apenas uma gaze. Por isso, decidiu não realizar os primeiros socorros. Esta decisão é um ponto central na investigação da morte por PM. Weden também declarou à Corregedoria que não portava um taser. Ele justificou a ausência do equipamento. Disse que nem todas as viaturas do batalhão tinham acesso a ele.

Outras Justificativas e Contradições

O oficial ainda comentou sobre a ausência da câmera corporal de sua colega Yasmin. Ele informou que Yasmin era recém-formada. Segundo Weden, os agentes da turma dela ainda não tinham acesso ao sistema de câmeras. Sobre o esbarrão inicial no marido de Thawanna, Weden disse que não desviou o veículo. Ele não acreditava que a viatura pudesse atingir Luciano, conforme seu depoimento. Essas explicações, por exemplo, serão analisadas pelas autoridades.

Atraso no Socorro e Consequências Fatais

Thawanna Salmázio só recebeu socorro cerca de 30 minutos depois de ser baleada. Apesar do atendimento tardio, ela não resistiu aos ferimentos e morreu. Este atraso no socorro é um aspecto crítico do caso da morte por PM. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os policiais Weden e Yasmin foram afastados das ruas. Eles permanecerão fora de serviço até a conclusão das investigações. O Ministério Público também abriu um procedimento próprio para investigar a morte de Thawanna. A defesa dos policiais não foi encontrada para comentar a situação. O caso continua em análise. Muitos se perguntam, portanto, se a resposta rápida poderia ter mudado o desfecho.

Análise de Especialistas sobre a Conduta Policial

Para Adilson Paes de Souza, tenente-coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, o episódio é “um absurdo”. Ele é pesquisador em segurança pública. Segundo o tenente-coronel, a ação não seguiu nenhum protocolo da corporação. Ele aponta uma sequência de abusos que culminaram na morte por PM. Na avaliação de Souza, o caso deveria ser investigado como homicídio qualificado por motivo fútil. “É abuso desde o começo”, ele afirma. “O linguajar que o policial usa com a pessoa, o vídeo mostra. Quem começou agredindo foram os policiais militares. Assim que ele dá ré, já começa a discutir com o casal.” Essa visão de um especialista reforça a gravidade da situação. A corporação, portanto, deve rever seus procedimentos. Além disso, a transparência nas investigações é fundamental para a confiança pública.