O Ministério Público (MP) de São José do Rio Preto abriu uma investigação sobre o uso de parque como estacionamento durante o show da banda Guns N’ Roses. O Parque Cidade das Crianças, um espaço público, foi usado para receber veículos pagantes no dia do evento. A promotoria agora busca esclarecimentos sobre a autorização e a forma como o dinheiro foi arrecadado, pois existem indícios de irregularidades e possível participação de funcionários públicos.
O promotor de Justiça Carlos Romani, responsável pelo caso, deu um prazo de 20 dias para que o prefeito de São José do Rio Preto, Fábio Candido (PL), e o presidente da Câmara, Luciano Julião (PL), se manifestem. Eles devem explicar como o Parque Cidade das Crianças foi transformado em estacionamento para o show que ocorreu em 7 de novembro no Recinto de Exposições “Alberto Bertelli Lucatto”. O MP suspeita que servidores públicos podem ter recebido valores diretamente, o que levanta sérias dúvidas sobre conflito de interesses e conduta.
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A apuração da TV TEM revelou que a cobrança para estacionar no local era de R$ 100. O pagamento podia ser feito por PIX ou em dinheiro. No entanto, os comprovantes de PIX mostram que o dinheiro era transferido para a conta de José Luís Pereira, secretário de finanças e orçamento da Câmara. Isso gerou mais questionamentos sobre a legalidade da operação.
Além disso, um vídeo enviado à produção da emissora mostra a esposa de José Luís realizando as cobranças. Um assessor do vereador Bruno Marinho (PRD) também foi visto no local, indicando vagas e orientando os motoristas. Estes fatos reforçam as suspeitas de um esquema envolvendo pessoas ligadas ao poder público.
A Prefeitura de São José do Rio Preto se manifestou através de uma nota. Nela, informou que o secretário de Esportes, Klebinho Kizumba, autorizou o uso de parque como estacionamento pela Associação Guadomafe. Esta entidade foi descrita como filantrópica e responsável pela organização e funcionamento do estacionamento durante o evento. A reportagem, entretanto, descobriu que a Associação Guadomafe tem sede na cidade de Guaraci, que não é São José do Rio Preto.
O Poder Executivo municipal ainda declarou que a gestão dos recursos arrecadados era de total responsabilidade da Associação Guadomafe. A TV TEM questionou a Prefeitura sobre qual critério foi usado para escolher uma instituição de outra cidade para gerenciar um serviço em um parque público de São José do Rio Preto. Até o momento, a emissora não obteve nenhuma resposta para essa pergunta crucial. A falta de transparência na escolha da entidade e na destinação do dinheiro levanta ainda mais a necessidade da investigação do Ministério Público.
A população de São José do Rio Preto aguarda os desdobramentos desta investigação. O Ministério Público segue apurando as possíveis irregularidades no uso de parque como estacionamento e a participação de agentes públicos. O caso destaca a importância da fiscalização rigorosa sobre a gestão de bens públicos e a transparência nas ações administrativas.
