O cardiologista Fábio Guerra, de Sorocaba, escreveu um livro que explora a medicina além dos exames tradicionais. Ele transformou suas vivências no consultório em uma obra. O livro aborda a conexão entre a saúde do corpo, as emoções e a espiritualidade. A ideia para a publicação, por exemplo, surgiu de uma inquietação do médico. Ele percebeu, além disso, que nem toda dor ou sofrimento aparece nos resultados dos testes médicos.
Muitos pacientes chegavam ao consultório com exames normais. Recebiam os tratamentos certos, mas ainda assim não se sentiam bem. Havia “algo” que não era detectado por nenhum aparelho ou análise. Fábio Guerra lembra que, nessas situações, ele pensava muito sobre o que realmente estava acontecendo com a pessoa. Essa reflexão, por conseguinte, ia além do momento da consulta, pois ele imaginava como o paciente estava fora dali.
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“Eu saía de algumas consultas pensando mais no que o paciente sentia do que no que eu havia receitado”, conta o médico. Foi nesse ponto que ele entendeu a necessidade de compartilhar essas experiências. Um momento marcante, entretanto, durante uma consulta foi decisivo para ele iniciar o livro. Um paciente disse uma frase que ficou guardada em sua memória: “Doutor, eu não tenho medo de morrer, tenho medo de não ter vivido.”
A dimensão humana da saúde
Guerra percebeu que, muitas vezes, o maior sofrimento não está na doença em si. Ele notou que está na maneira como a pessoa vive ou sente que não viveu. Ele se emociona ao lembrar disso. Em uma pausa do dia, Fábio reflete que os casos mais impactantes de sua carreira nem sempre são os mais graves do ponto de vista clínico. Eles são, por exemplo, pacientes que parecem “bem” nos exames, mas estão profundamente cansados por dentro.
Essas pessoas, muitas vezes, perderam o sentido da vida ou vivem no modo automático. Por outro lado, ele também encontra pacientes que, mesmo com um diagnóstico difícil, demonstram serenidade. Esses encontros ensinam muito ao médico. Além disso, eles ultrapassam a ideia de uma simples consulta, pois mostram a importância de olhar para o indivíduo de forma completa.
Por que olhar além dos diagnósticos?
Fábio Guerra explica que a medicina tradicional nem sempre dá conta de tudo. Existem situações onde ela não consegue explicar o que o paciente sente. Isso, aliás, o motivou ainda mais a escrever sua obra. Ele teve casos em que o tratamento estava perfeito e os exames mostravam melhora. Contudo, a pessoa ainda sentia angústia, medo ou um vazio. Fica claro, portanto, que apenas o protocolo médico não resolve todos os problemas.
Para o médico, a parte emocional e espiritual ainda recebe pouca atenção na rotina da saúde. A rotina é bem rápida, com muitos atendimentos. O sistema de saúde acaba priorizando o que pode ser medido. “O problema é que nem tudo que importa pode ser medido”, afirma ele. Ademais, o livro de Fábio Guerra se chama “Curas da Alma: A espiritualidade na medicina”. Nele, todas as histórias foram inspiradas nas vivências do autor.
