O lixo atômico em Itu, São Paulo, representa um problema antigo. Anos antes do grave acidente com Césio-137 em Goiás, um material radioativo foi guardado de forma secreta no interior paulista. Esta situação gerou revolta local e ainda causa preocupação. Os resíduos, provenientes do tratamento de monazita, seguem armazenados na cidade, a cerca de 100 quilômetros da capital. A história começou discretamente, mas logo se tornou um foco de medo para os moradores.
Na década de 1970, caminhões realizavam um movimento incomum em um sítio de Itu. Eles depositavam toneladas de resíduo radioativo, sem qualquer tipo de fiscalização ou conhecimento das autoridades municipais. O material, resultado do tratamento químico do minério de monazita, ficava exposto ao relento. Uma professora de uma escola rural percebeu a movimentação e o produto estranho. Assim, ela levou o assunto aos vereadores. Consequentemente, a situação veio à tona e ganhou grande repercussão, inclusive com destaque no Jornal Nacional.
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Como o Lixo Atômico Chegou a Itu?
Lázaro Piunti, prefeito da cidade na época do armazenamento, contou que não o consultaram sobre a guarda do material. Ele explicou que o depósito do lixo atômico foi construído em sigilo. A área, sob jurisdição do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), escapou da ação do município. Piunti afirma que, se fosse na área urbana, ele teria negado a aprovação. No entanto, na esfera rural, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) não precisava dar satisfação ao governo local. Isso mostra a falta de controle e transparência no processo inicial.
Após a denúncia, a estocagem passou a ser protegida e regulamentada. Contudo, o caso já havia se transformado em uma polêmica constante. O medo e a preocupação com o lixo atômico permanecem há décadas. Dessa forma, a população de Itu se mobilizou para cobrar respostas e segurança sobre o que estava guardado em seu território.
Manifestações Contra o Lixo Atômico
O local de armazenamento virou palco de diversos protestos e mobilizações. Manifestações com a presença de crianças, professores e movimentos civis ocorreram em Itu. Por exemplo, em uma das ocasiões, os manifestantes chegaram a tomar o espaço para “vistoriá-lo”. O então prefeito, Lázaro Piunti, tentou acessar o local várias vezes, mas foi impedido. Porém, ele organizou uma reunião popular e, finalmente, conseguiu ter acesso junto à população.
Piunti relembra um episódio marcante. O delegado Romeu Tuma o ligou, ponderando sobre o perigo do acesso da multidão. O prefeito foi firme e incisivo, argumentando que a verdadeira insegurança estava no material exposto, não na manifestação pacífica do povo. Dessa forma, ele assumiu a responsabilidade pela segurança das pessoas, enfatizando a necessidade de expor o problema. Portanto, essa postura demonstra a gravidade da situação e a determinação da comunidade em buscar soluções.
Mesmo após tantos anos, o material radioativo continua em Itu. A história do lixo atômico na cidade serve como um alerta sobre a importância da fiscalização e da transparência em questões ambientais e de saúde pública. A comunidade local, além disso, segue atenta e preocupada com o legado deste armazenamento.
