O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, disse que não há uma crise institucional entre o Judiciário e o Legislativo. A declaração veio após a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado não aceitar um documento que pedia a punição de ministros da Corte. Ele fez essa fala em São Paulo, durante um evento que discutia o papel da Justiça na segurança pública. Fachin explicou que existem apenas visões diferentes sobre o trabalho de uma CPI, mas sem colocar em dúvida a importância do Congresso em fiscalizar as instituições.
Fachin e a Crise Institucional
Fachin reforçou que não existe uma crise institucional. Segundo ele, quem não deve, não teme. O ministro destacou que o caminho para discordar de uma decisão judicial é recorrer, contestar ou impugnar. Assim, atacar a instituição não é a maneira correta. Ele defendeu a importância de respeitar os processos legais e a estrutura dos poderes, mesmo diante de desentendimentos. Dessa forma, a ideia de uma crise generalizada é descartada, dando lugar a uma visão de divergências pontuais.
Leia também
O Relatório da CPI e Seus Alvos
Na terça-feira anterior, a CPI do Crime Organizado rejeitou o relatório final apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O placar da votação foi de seis votos contra e quatro a favor. O documento pedia o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal: Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Além deles, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também estava entre os citados. Na prática, se o pedido de indiciamento fosse aprovado pela maioria da CPI, ele poderia levar a um pedido de impeachment das quatro autoridades.
Mudanças na Composição da CPI
Para conseguir a maioria necessária e rejeitar o parecer, a composição da CPI do Crime Organizado foi alterada horas antes da votação do relatório. Três dos onze membros titulares foram trocados. Conforme os registros do Senado, os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES) foram substituídos por Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE). Além disso, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que era suplente, passou a ser membro titular. Com essas mudanças, a CPI teve votos suficientes para derrubar o relatório de Vieira. Votaram contra o relatório os senadores Beto Faro, Teresa Leitão, Rogério Carvalho (PT-SE), Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE) e Soraya Thronicke.
O Que é Crime de Responsabilidade?
O senador Alessandro Vieira apontou indícios de crimes de responsabilidade por parte do procurador-geral e dos ministros do STF. Mas o que isso significa? Um crime de responsabilidade é um delito de natureza política. O processo para julgar esse tipo de crime corre no próprio Senado. Portanto, é uma acusação séria que pode levar à perda do cargo, mas que exige um rito específico dentro do Poder Legislativo.
