Centro de Campinas: Moradores e comerciantes relatam medo e abandono

Comerciantes e moradores do Centro de Campinas relatam aumento da insegurança e abandono, afetando o comércio e a vida social da região. Saiba mais sobre os desafios e o impacto na comunidade local.

O Centro de Campinas enfrenta um período desafiador. Comerciantes e moradores da área central relatam um aumento da insegurança e um sentimento de abandono. Antigos frequentadores, portanto, agora evitam o local, preferindo outros pontos da cidade devido ao medo. Esta realidade transforma a dinâmica de uma região que já foi ponto de encontro e lazer.

José Aparecido Felipe, dono de uma banca, lembra com carinho os tempos em que o Centro era vibrante, cheio de vida e opções de lazer. Ele fala de uma Campinas que “dava gosto de andar”, com cinemas e muita diversão. Quem conheceu essa época, de fato, nunca esquece. Hoje, sua rotina inclui registrar boletins de ocorrência de assaltos. Em apenas um ano, ele sofreu diversos roubos em sua banca. José relata um episódio onde ladrões o abordaram com arma, levando documentos e dinheiro. Ele descreve a situação como “tristeza”, evidenciando a fragilidade que muitos sentem.

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O Declínio e a Queda do Movimento no Centro de Campinas

Douglas Alexandre, outro comerciante local, nota uma mudança drástica no cenário. Antes de 2020, o Centro tinha muito movimento e era bem organizado. Contudo, após a pandemia, ele observa uma clara “decadência”. Lojas fecham as portas com frequência, e muitos imóveis estão vazios, à venda ou para alugar. Douglas destaca que as pessoas têm medo de vir ao Centro. Elas se preocupam com assaltos e a grande quantidade de moradores de rua. Além disso, os impostos são muito altos, por vezes superando o valor do aluguel dos estabelecimentos. Assim, a manutenção do comércio se torna um fardo pesado.

Adinoelma dos Santos, consultora óptica que trabalha no Centro, já sentiu na pele essa violência. Ela foi assaltada ao sair do serviço, perdendo o celular. Em outra ocasião, quase teve sua aliança roubada. Adinoelma explica que, ao ir para casa, guarda seus objetos de valor. Ela faz isso porque “tudo que estiver à vista deles, eles vão tentar pegar”, muitas vezes com agressividade. Portanto, a precaução se tornou parte do dia a dia.

O Medo que Afasta Pessoas do Centro de Campinas

Patrícia Ribeiro, moradora do Largo do Pará há quase vinte anos, costumava frequentar a praça com a filha. Hoje, a situação é bem diferente. Ela diz que a família “anda com medo” e evita o Centro, preferindo shoppings pela maior segurança oferecida. Sua filha, de doze anos, não pode andar sozinha na rua. Segundo Patrícia, a sensação de perigo aumenta no período da noite, quando as ruas ficam mais vazias. Isso demonstra como a vida social e familiar é afetada.

A gerente de loja Beatriz Funari confirma que a queda no movimento aumenta a insegurança. Consequentemente, isso impacta diretamente o trabalho dos comerciantes. Antigamente, muitos estabelecimentos ficavam abertos por mais tempo, das 8h às 19h. Depois da pandemia, porém, a maioria das lojas precisou reduzir seus horários por precaução. Essa medida visa proteger funcionários e clientes, mas, por outro lado, contribui para o esvaziamento da área.

A situação atual do Centro de Campinas mostra um desafio claro para a cidade. A insegurança afasta quem antes frequentava a região, impactando o comércio, a cultura e a vida de moradores. É crucial, portanto, que as autoridades e a comunidade busquem soluções eficazes para devolver a vitalidade e a segurança que a área já teve. A recuperação do Centro é fundamental para a identidade e o desenvolvimento de Campinas.