Câmera Corporal Registra Morte de Mulher por PM em SP

Imagens de câmera corporal da Polícia Militar revelam os momentos que antecederam a morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, por uma policial em São Paulo. O caso está sob investigação e os agentes foram afastados.

Imagens de câmera corporal revelam os momentos que antecederam a morte de uma mulher por PM em São Paulo. O vídeo mostra Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, caminhando com seu marido na rua quando um policial, após um toque no retrovisor, questionou o casal e, em seguida, um disparo fatal ocorreu. O caso, que aconteceu em Cidade Tiradentes, na Zona Leste, agora está sob investigação do Ministério Público, e os policiais envolvidos foram afastados das ruas. Este incidente levanta sérias questões sobre a conduta policial e a segurança dos cidadãos.

Detalhes do Incidente Filmado

A gravação da câmera corporal da Polícia Militar oferece uma visão clara dos acontecimentos que levaram à morte da mulher por PM. Naquele dia, por volta das 2h58, o soldado Weden Silva Soares, que dirigia a viatura e usava a câmera, e a policial Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, estavam em patrulhamento. Yasmin havia se formado recentemente e tinha apenas cerca de três meses de experiência na rua. Enquanto a viatura trafegava, o retrovisor do carro da polícia tocou no braço de Luciano Gonçalvez dos Santos, marido de Thawanna.

PUBLICIDADE

Após o toque, o soldado Weden parou a viatura. Ele deu ré e dirigiu uma pergunta agressiva ao casal: “A rua é lugar para você estar andando, ca*****?”. Luciano tentou se referir ao policial com uma gíria comum entre colegas de farda, “Ô, Steve”, mas Weden reagiu com mais agressividade. Thawanna, então, interveio, afirmando que o carro da polícia havia batido neles. A policial Yasmin, que estava no banco do passageiro, saiu do veículo. A câmera registra Thawanna pedindo para a militar não apontar o dedo para ela. Logo depois, ocorre o disparo que vitimou a mulher.

As Consequências Imediatas e a Investigação

As imagens mostram que outra viatura chegou ao local poucos minutos depois, por volta das 3h. O soldado Weden, então, narrou sua versão dos fatos aos colegas. Em seguida, ele tentou prestar os primeiros-socorros à vítima, esperando a chegada do resgate, que ocorreu às 3h30. Depois disso, a dupla de policiais entrou em outra viatura e deixou o local do incidente. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou o afastamento da policial Yasmin, responsável pelo disparo, e dos demais agentes envolvidos no caso. O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) agora investiga a morte da mulher por PM.

Versões Conflitantes sobre a Morte da Mulher por PM

A família de Thawanna apresenta uma versão diferente dos fatos. Luciano, o marido da vítima, relatou que a viatura passou em alta velocidade, quase atingindo o casal. Isso, segundo ele, provocou uma reação de Thawanna. Conforme seu depoimento, a policial Yasmin desceu da viatura e atirou diretamente na mulher, sem qualquer abordagem prévia. Luciano descreveu que a policial “chegou oprimindo ela, deu um chute”, e que ele próprio estava com a mão na cabeça, sob a mira do policial Weden, quando ouviu o disparo. Ele inicialmente pensou que fosse uma bala de borracha.

Por outro lado, a Polícia Militar tem outra versão. A corporação afirma que Thawanna teria partido para cima da equipe policial. Contudo, as imagens da câmera corporal mostram que Thawanna estava desarmada e caminhava no momento do incidente. Esta contradição é um ponto chave na investigação.

Repercussão e Pedidos de Justiça

A morte de Thawanna gerou uma onda de protestos e revolta entre os moradores de Cidade Tiradentes. A comunidade se manifestou contra o que considera ser a violência da Polícia Militar na região. O caso continua em aberto, com o Ministério Público de São Paulo conduzindo o procedimento investigatório para esclarecer todos os detalhes e determinar as responsabilidades. A sociedade aguarda respostas e justiça para a mulher morta por PM, visando evitar que tragédias como esta se repitam.