O Café de Barra do Turvo, no interior de São Paulo, alcançou uma marca histórica. Ele recebeu a maior pontuação já registrada no 24º Concurso Estadual Qualidade do Café de São Paulo. Produtores rurais Ozico Pereira, de 72 anos, e Pedrina Pereira, de 70, um casal que também celebra 50 anos de casamento, foram os responsáveis por essa conquista. De fato, a nota de 91,10 pontos superou outros grãos e o colocou na categoria de café “extraordinário”.
Este resultado de 91,10 pontos na categoria cereja descascado representa um recorde para o concurso. A marca anterior, de 90,3 pontos, havia sido registrada em 2022. Para entender a importância desta conquista, é útil comparar as classificações. Por exemplo, cafés classificados como gourmet recebem entre 80 e 85 pontos. Já os cafés especiais variam de 85 a 90 pontos. Portanto, a amostra produzida pelos agricultores de Barra do Turvo passou de todas essas classificações, entrando na categoria considerada “extraordinária”. Rogério Sakai, especialista agropecuário da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), explicou que cafés que atingem essa pontuação passaram a ser classificados como extraordinários há quatro anos. Em outras palavras, a qualidade foi oficialmente reconhecida.
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A Jornada do Café de Barra do Turvo
Para Ozico e Pedrina, a nota vai além de um número. Ela mostra o reconhecimento de muitos anos de trabalho silencioso no campo. Pedrina contou que as primeiras mudas de café cultivadas pelo casal foram plantadas em 2006. No início, a produção era pequena e insuficiente para comercialização. Contudo, a virada começou quando a prefeitura do município cedeu quatro mil mudas, o que impulsionou o cultivo e permitiu que o sítio ganhasse escala. Atualmente, eles cuidam de cerca de quatro mil pés de café em uma área de seis mil metros quadrados. Assim, o casal dedicou décadas ao campo, e este prêmio valida todo o esforço.
Nos últimos três anos, o cuidado no manejo trouxe bons resultados. Em 2025, a colheita alcançou entre 30 e 35 sacas. O Café de Barra do Turvo que ganhou o prêmio é totalmente orgânico. Os agricultores disseram que o manejo é simples: fazem apenas a roçagem. Além disso, não usam produtos químicos. Este método, portanto, preserva a qualidade e a pureza do grão. “Não precisou de adubo, não precisou de nada”, afirmou Pedrina, destacando a simplicidade e a eficácia do processo natural. A ausência de aditivos químicos, aliás, contribui para o sabor único e a classificação elevada.
Cultivo Sustentável e Apoio Local
A safra vencedora foi cultivada há cinco anos em um sistema agroflorestal. Esse tipo de modelo integra o café com outras espécies vegetais. Isso favorece o equilíbrio ambiental e a saúde do solo. Consequentemente, o casal de Barra do Turvo (SP) venceu a competição alcançando 91,10 pontos na categoria cereja descascado, um testemunho do sucesso desse método sustentável.
O avanço da cafeicultura em Barra do Turvo também conta com apoio técnico. A Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) atua em parceria com a prefeitura. A prefeitura, por sua vez, mantém uma lei que incentiva a produção local. Este suporte, sem dúvida, é fundamental para que mais agricultores possam alcançar resultados como os de Ozico e Pedrina. Por fim, a história deles mostra que o trabalho duro, a dedicação e o cuidado com a terra trazem grandes recompensas. O Café de Barra do Turvo agora é uma referência de qualidade e sustentabilidade, servindo de inspiração para toda a região.
