Bandas do Interior de SP Gastam Milhares para Lançar Álbuns em Vinil

Em plena era digital, bandas do interior de São Paulo investem pesado para lançar seus álbuns em vinil, apostando na experiência única e na conexão com o público, apesar dos altos custos e desafios de acesso.

Mesmo com a música na internet, algumas bandas do interior de São Paulo ainda querem lançar álbuns em vinil. Elas gastam bastante dinheiro para fazer isso. Para esses grupos, o disco de vinil oferece algo diferente do digital, uma experiência que o streaming não entrega. É uma escolha que mostra a força do formato físico, apesar de todos os desafios de produção e venda no Brasil. Músicos de cidades como Araraquara e Descalvado mantêm essa cultura viva, investindo pesado para ter seus trabalhos em um formato que muitos consideram especial.

O Alto Custo para Lançar Álbuns em Vinil

Produzir um disco de vinil hoje não é barato, especialmente para artistas independentes. O Du Rompa Hammond Trio, de Descalvado, por exemplo, investe alto em LPs com poucas cópias. Para prensar apenas 300 unidades, o gasto pode ir de R$ 25 mil a R$ 40 mil. O músico Du Rompa explica que é preciso ter certeza dessa decisão e, sendo um projeto independente, buscar formas de conseguir o dinheiro. Esse valor alto já mostra o compromisso e a paixão desses artistas pelo formato.

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Preços Altos e Acesso Limitado

O custo de produção impacta diretamente o preço final para o público. Os discos do Du Rompa Hammond Trio custam entre R$ 200 e R$ 270. O primeiro álbum, com uma tiragem de apenas 300 cópias, já está ficando raro e mais valioso. Com os Caramelows, acontece o mesmo. Álbuns antigos, como “Remonta” (2016) e “Goela Abaixo” (2019), da época com a cantora Liniker, viraram itens de colecionador e chegam a custar até R$ 2 mil.

O baterista Péricles Zuanon, dos Caramelows, levanta uma questão importante sobre isso. Ele comenta que o valor é um fator que limita o acesso do público e mostra uma diferença social. “Os preços dos vinis são absurdos. Tudo bem que a qualidade melhorou, mas quem tem dinheiro para comprar?”, ele pergunta. Embora o mercado de vinil esteja crescendo, a dificuldade de acesso ainda é um ponto de discussão.

Os primeiros trabalhos dos Caramelows tiveram muitas cópias. O álbum “Remonta” teve mil cópias no Brasil, feito pelo selo Noise Club. Já “Goela Abaixo” foi prensado fora do país, com duas mil unidades distribuídas por uma gravadora alemã. Os discos mais novos da banda ainda devem sair em vinil.

Por Que as Bandas Continuam a Lançar Álbuns em Vinil?

Apesar dos valores altos e da dificuldade de acesso, o interesse em lançar álbuns em vinil e comprá-los continua. O tecladista Fernando TRZ, também dos Caramelows, observa que muita gente mais nova tem procurado o vinil. Para ele, existe um certo cansaço das plataformas digitais e do jeito que os algoritmos mandam nos singles e conteúdos. As pessoas percebem que a experiência digital pode, na verdade, limitar o que elas ouvem, em vez de aumentar o repertório.

O vinil oferece uma experiência completa: pegar o disco, ler a capa, colocar na vitrola. É um ritual que o streaming não consegue copiar. Além disso, ter um disco físico é como ter um pedaço da história da banda, algo que valoriza com o tempo. Por isso, muitos músicos e fãs veem o vinil como uma forma de se conectar de verdade com a música, indo além da praticidade do digital.

Assim, mesmo na era digital, o vinil segue firme. Bandas do interior paulista mostram que o investimento vale a pena pela conexão com o público e pela qualidade. É um formato que resiste e atrai novas gerações, provando que a música vai muito além de um simples clique.