O descarte errado de remédios e a falta de tratamento do esgoto estão transformando rios brasileiros em locais onde superbactérias aparecem. Um estudo feito pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) achou antibióticos em rios como o Extrema e o Meia Ponte, no Cerrado. Isso acende um alerta sobre os perigos para a nossa saúde e para o meio ambiente.
O que são poluentes emergentes?
As substâncias encontradas são chamadas de poluentes emergentes. São compostos químicos que prejudicam o meio ambiente e a saúde, mas que ainda não têm leis para seu controle ou monitoramento. As causas principais incluem esgoto sem tratamento adequado, descarte incorreto de medicamentos em casa e o uso exagerado de remédios.
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Superbactérias: um perigo na água
A presença desses resíduos cria um ambiente perfeito para o aparecimento de bactérias resistentes. Em Goiás, a pesquisa encontrou a bactéria Staphylococcus aureus, que causa infecções graves e não responde ao antibiótico meticilina (MRSA). As pessoas e os animais correm risco através do contato com a água, o solo e alimentos contaminados.
Igor Romeiro dos Santos, que liderou a pesquisa, explica que “as superbactérias tornam infecções mais perigosas, difíceis de tratar e, às vezes, fatais. É um dos maiores desafios da medicina hoje”. Portanto, a contaminação pode levar a infecções generalizadas, como a sepse. Além disso, a água precisa de um tratamento muito mais forte antes do consumo, e os rios ficam perigosos para quem busca lazer.
Impacto ambiental dos antibióticos em rios
Além da resistência bacteriana, o excesso de nutrientes que vêm do esgoto causa a eutrofização. Esse processo faz com que muitas algas cresçam, bloqueando a luz do sol. Isso impede a fotossíntese de plantas debaixo d’água e diminui o oxigênio na água. Consequentemente, a vida aquática sofre.
Igor completa: “Essa poluição afeta a qualidade da água para beber e para a vida aquática. Ela aumenta a chance de doenças infecciosas, intoxicações e a acumulação de poluentes na cadeia alimentar”. O resultado é um ciclo de morte de peixes e outros seres vivos, gerando ainda mais decomposição e a proliferação de bactérias nocivas.
O problema vai além de Goiás
Este problema não acontece só no Cerrado. Uma pesquisa do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP (CENA/USP), em São Paulo, também achou 12 tipos de antibióticos em rios, como o Piracicaba. Isso mostra que a contaminação por esses remédios é um desafio em todo o país. É importante que as pessoas entendam a gravidade da situação e ajam para mudar este cenário, buscando um descarte correto de medicamentos e apoiando o tratamento de esgoto.
