Acidentes graves causados por linha chilena estão se tornando mais comuns no Rio de Janeiro. Recentemente, um homem de 45 anos perdeu a vida após ser atingido no pescoço por uma linha enquanto pilotava sua moto na Zona Norte da cidade. Este caso trágico destaca o aumento alarmante de ocorrências envolvendo o material, que é proibido por lei mas ainda circula livremente, colocando em risco a vida de muitos.
O Crescimento Preocupante dos Acidentes com Linha Chilena
Os dados do Disque Denúncia mostram um cenário preocupante. Em apenas um ano, o número de reclamações sobre o uso de linha chilena no estado do Rio de Janeiro mais que dobrou. Em 2023, foram 561 registros. Já em 2024, esse total subiu para 1.203. Nos três primeiros meses deste ano, a contagem já chegou a 110 denúncias, indicando que o problema persiste e se agrava a cada dia.
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O caso mais recente de fatalidade aconteceu na última quinta-feira. Leandro Rezende Cardoso, um administrador de empresas de 45 anos, voltava para casa de moto depois do trabalho em Cascadura, Zona Norte do Rio. Ele foi atingido no pescoço pela linha chilena. Apesar de ter sido socorrido e levado ao Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, Leandro não resistiu a uma parada cardíaca e faleceu. Esta tragédia serve como um alerta para a seriedade do problema.
O Perigo da Linha Chilena e a Facilidade de Acesso
A linha chilena não é um perigo novo, mas sua intensidade de corte é assustadora. Ela é fabricada com pó de quartzo e óxido de alumínio, materiais que a tornam muito mais abrasiva que o cerol tradicional, feito com vidro moído. Dessa forma, especialistas dizem que ela pode ser até quatro vezes mais afiada. Por isso, os ferimentos que causa são geralmente mais graves e, muitas vezes, fatais, especialmente para motociclistas e ciclistas.
Mesmo com a proibição expressa por lei, encontrar e comprar linha chilena é surpreendentemente fácil. Muitos perfis em redes sociais e sites na internet oferecem o produto sem qualquer restrição, dificultando o controle e aumentando os riscos para a população. A lei brasileira prevê multas e até processos criminais para quem usa ou vende esse tipo de material, com penas que variam dependendo da gravidade do acidente causado. Contudo, a fiscalização ainda é um desafio.
O Impacto nas Vítimas e Famílias
Leandro Rezende Cardoso era um exemplo de dedicação e planos para o futuro. Dono de uma empresa de limpeza de estofados, ele usava a moto para se mover pela cidade de forma prática. Ele estava prestes a se formar em Direito, era viúvo e filho único. Deixa os pais e uma filha de 15 anos. A tragédia abalou profundamente amigos e familiares, que descrevem Leandro como uma pessoa muito comunicativa e querida no bairro.
Um amigo de Leandro, Carlos Eduardo Menezes, contou que retornou ao local do acidente, entre as ruas Cerqueira Daltro e Gaspar Viana, e encontrou a linha que pode ter tirado a vida do administrador. Ele também relatou ver outras linhas espalhadas pela região, o que representa um risco constante. Carlos Eduardo disse: “A gente passa por isso todos os dias. Todos os dias eu vejo essas linhas esticadas pela rua. Já tive situações em que eu consegui me livrar, mas infelizmente ele não teve a mesma sorte”.
A moto de Leandro, que não possuía antena de proteção, continua na garagem da família, com as marcas do acidente. Este detalhe ressalta a importância de medidas de segurança para motociclistas, como o uso de antenas corta-pipa, que podem prevenir tragédias como essa. Além disso, a conscientização sobre os riscos da linha chilena e a adoção de precauções são cruciais para evitar mais perdas e garantir a segurança de todos nas ruas.
