O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou dez PMs do Bope por condutas irregulares. Eles teriam invadido casas, descumprido ordens e manipulado câmeras durante uma operação na Maré, Zona Norte do Rio. A ação ocorreu em janeiro de 2025. O grupo é acusado de entrar em residências sem permissão ou mandado. Além disso, teriam usado as propriedades para descanso e consumo.
Entrada Ilegal em Residências na Maré
O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp/MPRJ) indicou que os policiais entraram em treze casas na Nova Holanda. Eles utilizaram chaves mestras ou, em alguns casos, arrombaram portas. É importante notar que não havia autorização dos moradores nem ordem judicial para essas entradas. Portanto, a ação é considerada uma violação de domicílio.
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Depois de invadir, parte dos policiais não seguiu a missão de incursão e estabilização. Em vez disso, eles permaneceram dentro dos imóveis. Lá, dormiram, usaram os banheiros e até consumiram itens das geladeiras dos moradores. A Polícia Militar informou que abriu um procedimento interno para investigar o caso. Além disso, a corporação enviou um relatório para a Auditoria de Justiça Militar.
Os Policiais Denunciados e Outras Acusações
Os nomes dos PMs do Bope denunciados são Bruno Martins Santiago (3º sargento), Carlos Alberto Britis Júnior (3º sargento), Claudio Santos da Silva (1º sargento), Diego Ferreira Ramos Martins (cabo), Diogo de Araújo Hernandes (3º sargento), Douglas Nunes de Jesus (2º sargento), Felippe Carlos de Sousa Martins (1º tenente), Jorge Guerreiro Silva Nascimento (cabo), Rodrigo da Rocha Pita (cabo) e Rodrigo Rosa Araujo Costa (1º sargento).
O tenente Felippe Martins já havia comandado outra operação polêmica. Por exemplo, no Morro Santo Amaro, uma pessoa morreu durante um confronto em uma festa junina. A Corregedoria da PM indiciou o tenente por homicídio nesse caso anterior. Assim, as denúncias atuais somam-se a um histórico de investigações.
Manipulação de Câmeras e o Caso do Guaraná
Outra parte grave da denúncia envolve as câmeras operacionais portáteis (COPs). As investigações mostram que os agentes cobriram propositalmente as lentes das câmeras. Isso gerou gravações com “tela preta”, dificultando o registro das ações. Por esse motivo, o MPRJ também os denunciou por recusa de obediência. No entanto, mesmo com as lentes cobertas, imagens de outras câmeras e os áudios captados ajudaram o Gaesp a montar as acusações.
Um episódio específico foi registrado. Em uma das casas, a gravação de uma COP, antes de ser obstruída, mostra um PM entrando por uma porta aberta. Ele encontra outros três policiais já sentados no sofá. O PM com a câmera vai à cozinha, abre a geladeira, mexe no congelador e pega um guaraná natural. Ele retorna à sala e faz uma brincadeira com os colegas sobre estarem assistindo televisão. A conversa continua, e o policial se estica no sofá, comentando sobre a bebida. Logo depois, ele cobre a lente da câmera, mas o áudio segue gravando a conversa do grupo. Este é um exemplo claro da conduta questionada.
