Morte em Supermercado: Seguranças Vão a Júri Popular no Rio

Dois seguranças envolvidos na morte de Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga, de 19 anos, em um supermercado da Barra da Tijuca, vão a júri popular.

Um caso de morte em supermercado na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, terá um novo capítulo. Dois seguranças envolvidos na ocorrência que resultou na morte de um jovem de 19 anos vão a júri popular. Esta decisão recente da Justiça marca um avanço no processo que investiga o falecimento de Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga. O episódio, que aconteceu em 2019, chocou a população e levantou discussões sobre a segurança em estabelecimentos comerciais. Portanto, a comunidade aguarda os próximos passos deste julgamento.

Sete anos após o incidente, a Justiça do Rio de Janeiro determinou que os dois seguranças acusados pela morte de Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga, de 19 anos, enfrentem o Tribunal do Júri. O fato ocorreu em 14 de fevereiro de 2019, dentro de um supermercado localizado na Barra da Tijuca, zona sudoeste da capital fluminense. De acordo com a acusação do Ministério Público, o jovem morreu após ser imobilizado por um dos seguranças. Esse movimento é conhecido popularmente como “mata-leão”, e provocou asfixia na vítima. O laudo de necropsia confirmou que as lesões causadas por essa imobilização foram a razão da morte de Pedro.

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Decisão Judicial e Acusações

Na decisão judicial, o magistrado pronunciou Davi Amâncio por homicídio qualificado. Segundo o juiz, existem elementos que indicam que ele “assumiu o risco de matar” ao imobilizar a vítima por estrangulamento. Além disso, o outro réu no processo, Edmilson Félix Pereira, teve sua participação no crime reconhecida por omissão. Ele não impediu o desfecho fatal. A denúncia aponta que, como vigilante, ele tinha o dever de impedir a morte do jovem, mas permaneceu apenas observando a situação. A decisão foi proferida pelo juiz Tula Correa de Mello, da 3ª Vara Criminal da Capital. O juiz entendeu que havia indícios suficientes de autoria e materialidade para que o caso seja analisado pelo Tribunal do Júri. Assim, a busca por justiça continua.

Imagens e Relatos de Testemunhas

Vídeos que circularam na época do incidente mostram o jovem já desacordado no chão, enquanto Davi Amâncio o mantinha contido. Clientes presentes no local alertaram o segurança sobre a condição de Pedro, mas os avisos foram ignorados. Testemunhas relataram que Pedro não demonstrava reação enquanto o golpe era mantido. Em seguida, o outro vigilante teria amarrado as pernas da vítima. Um cliente tentou intervir, tocando no segurança, que respondeu: “Não segura, senhor, quem sabe sou eu”. Outros seguranças se aproximaram do local. Ao mesmo tempo, um cliente afirmou que o rapaz estava “roxo”, e uma mulher gritou: “Está sufocando”. Outra mulher, desesperada, exclamou: “Ele está desacordado”. Ainda sobre o rapaz, o vigilante gritou com as pessoas ao redor: “Cala a boca”. Portanto, os relatos indicam um cenário de tensão e desespero. Estes depoimentos são cruciais para o entendimento da morte em supermercado.

O que Disse o Supermercado

O g1 entrou em contato com a rede de supermercados em abril de 2026 para obter uma nova declaração, e aguarda resposta. Contudo, em uma nota divulgada na época do ocorrido, em 2019, o Extra informou que os seguranças envolvidos no caso foram imediatamente afastados de suas funções. A rede esclareceu que repudia veementemente qualquer ato de violência em suas lojas. Sobre o fato em questão, a empresa declarou ter aberto uma investigação interna. Inicialmente, a investigação constatou que se tratou de uma reação a uma tentativa de furto da arma de um dos seguranças da unidade da Barra da Tijuca. Após o indivíduo ser contido pelos seguranças, a loja acionou a polícia e o socorro imediatamente. A empresa também abriu um boletim de ocorrência e afirmou estar colaborando com as autoridades. Desse modo, a empresa apresentou sua versão dos fatos desde o início do processo.