Júri aponta papel central de réu na morte de Moïse

Promotora detalha o papel de Brendon Alexander Luz da Silva na morte de Moïse Kabagambe, apresentando áudios e vídeos que mostram a participação direta do réu no crime brutal ocorrido em um quiosque na Barra da Tijuca.

A promotora Rita Cid Varela Guitti Guimarães, do Ministério Público do Rio, afirmou em júri que Brendon Alexander Luz da Silva teve um papel central na morte de Moïse Kabagambe. Este julgamento aconteceu no Rio de Janeiro e focou nos eventos de 24 de janeiro de 2022. Moïse, um congolês, foi agredido até morrer em um quiosque na Praia da Barra da Tijuca, onde trabalhava. Ele cobrava diárias atrasadas quando a confusão começou. A acusação sustenta que Brendon não só participou das agressões, mas também foi crucial para que elas acontecessem, agravando a situação da morte de Moïse.

O Que as Provas Revelam

Imagens de câmeras de segurança e áudios enviados pelo próprio réu na noite do crime foram apresentados. Nesses áudios, por exemplo, Brendon mostrava calma ao falar sobre o ocorrido com um amigo. Ele disse: “Graças a Deus estou muito tranquilo (…) Até troquei de roupa já. Vi que tinha chegado a ambulância lá, mas não tinha viatura da polícia”. Esta declaração veio após a exibição das provas que ligam o réu aos fatos. Os jurados viram vídeos que mostram o início da briga e a ação direta do acusado. Para a promotora, as imagens evidenciam a participação principal dele no crime. “Ele foi peça fundamental nesse crime. Foi quem derrubou e imobilizou o Moïse”, declarou, deixando clara a sua responsabilidade na morte de Moïse.

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Ações do Réu Durante as Agressões

As provas exibidas no plenário mostraram a confusão. Tudo começou com um desentendimento entre Moïse e um homem chamado Jailton, por causa de uma cerveja. Poucos minutos depois, Brendon aparece no vídeo. Ele avança contra Moïse, aplica um golpe de jiu-jítsu conhecido como “baiana”, derrubando-o. Em seguida, ele passa a imobilizar a vítima. Durante a gravação, Moïse fica contido enquanto recebe várias agressões. A promotoria contabilizou pelo menos 37 golpes. Estes incluíram socos, chutes e pauladas. Outras pessoas envolvidas filmaram a cena enquanto a violência continuava. Conforme a acusação, ninguém chamou a polícia durante o espancamento. Além disso, a promotora também ressaltou que o quiosque continuou funcionando normalmente. A venda de bebidas seguiu ao mesmo tempo em que a violência acontecia. Este fato chocou os presentes no júri sobre a morte de Moïse.

Comportamento Inesperado do Acusado

A promotora usou um tom irônico para comentar o comportamento do réu. “Dá pra ver que ele estava muito preocupado com a vítima”, disse ela. Após cerca de 10 minutos de imobilização, ele pediu para tirar uma foto da posição de jiu-jítsu que aplicava. Segundo a promotora, Brendon fez um gesto de “hang loose” na hora da foto. Ela complementou: “Eles amarraram uma corda nas pernas, mãos e pescoço do Moïse, mas ele estava, sim, preocupado com a vítima”. Este comportamento levantou questionamentos sobre a frieza do acusado durante os eventos que levaram à morte de Moïse. Familiares de Moïse se emocionaram durante a exibição dessas cenas, reforçando a dor causada pelo crime.