Uma advogada argentina, acusada de injúria racial no Rio de Janeiro, fez um depósito judicial para poder sair do Brasil. A Justiça carioca autorizou a viagem dela de volta ao seu país, mas com algumas condições. Este caso envolvendo uma cidadã argentina e acusações de injúria racial gerou grande repercussão, e agora apresenta novos desdobramentos importantes. A decisão permite que Agostina Páres responda ao processo fora do território brasileiro, mediante o cumprimento de garantias financeiras.
O Caso de Injúria Racial em Ipanema
No dia 14 de janeiro deste ano, a advogada Agostina Páres se envolveu em um incidente grave. Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), ela proferiu ofensas racistas contra um funcionário de um bar em Ipanema. Ela se referiu ao empregado como “negro” de forma pejorativa. Além disso, ao deixar o local, a advogada usou a palavra “mono”, que significa “macaco” em espanhol, e imitou gestos do animal. Câmeras de segurança flagraram essas atitudes.
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A situação piorou. Ainda conforme a promotoria, Agostina voltou a fazer novas ofensas. Ela usou expressões como “negros de m*rda” e “monos” para outros dois funcionários do estabelecimento. Dessa forma, as ações da advogada caracterizam a ocorrência de três crimes de injúria racial. A acusada chegou a ser presa em flagrante na época e, posteriormente, foi submetida a medidas cautelares rigorosas.
Decisão Judicial: Saída do Brasil Mediante Caução
Recentemente, a Oitava Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro tomou uma nova decisão sobre o caso. O desembargador Luciano Silva Barreto, relator do processo, expediu uma liminar. Esta liminar permite que Agostina Páres deixe o Brasil, desde que cumpra algumas condições. A principal delas é o pagamento de uma caução. O valor determinado foi de 60 salários mínimos, o que corresponde a aproximadamente R$ 97 mil.
Este depósito serve como uma garantia financeira. Com ele, a Justiça assegura que a advogada cumprirá a pena imposta no Brasil, caso seja condenada. A decisão ainda será analisada por um colegiado de juízes. Além do valor, outras exigências foram feitas. A ré precisa manter seu endereço e contatos atualizados e se comprometer a atender a todas as convocações da Justiça brasileira, mesmo estando fora do país.
Por Que a Justiça Liberou a Viagem?
O relator do caso entendeu que as medidas cautelares anteriores não eram mais necessárias. Inicialmente, Agostina teve o passaporte retido, foi proibida de sair do país e precisou usar tornozeleira eletrônica. Contudo, com o encerramento da fase de instrução do processo, o magistrado avaliou que as restrições deveriam ser proporcionais e vinculadas à necessidade do processo, o que não se sustentaria mais. Ele também considerou que impedir a saída configuraria constrangimento ilegal.
O desembargador destacou alguns pontos importantes. Primeiro, tanto o Ministério Público quanto a assistência de acusação se manifestaram a favor da liberação da ré. Isso ocorreu sob a condição de que houvesse uma garantia financeira para uma possível indenização às vítimas. O MPRJ, por exemplo, chegou a sugerir uma indenização de até 120 salários mínimos para as pessoas ofendidas. Além disso, a advogada é primária, tem uma profissão definida e demonstrou colaboração com o processo, inclusive com uma manifestação pública de arrependimento.
Outro fator relevante são os acordos internacionais entre Brasil e Argentina. Esses acordos permitem que, em caso de condenação, a pena possa ser cumprida no país de origem da acusada. Assim, todas as medidas cautelares impostas anteriormente foram revogadas, abrindo caminho para a saída da advogada argentina do Brasil.
Próximos Passos no Processo de Injúria Racial
Apesar de ter deixado o Brasil, o processo de injúria racial contra a advogada argentina continua. A caução depositada servirá não apenas para garantir o cumprimento da pena, mas também para a reparação de danos e o pagamento de multas, caso ela seja condenada. A Justiça brasileira manterá o acompanhamento do caso, e a ré terá que responder às futuras convocações. Este desdobramento mostra a complexidade de casos envolvendo cidadãos estrangeiros e a aplicação da lei em um contexto internacional.
A decisão reforça a importância da garantia financeira em processos criminais, principalmente quando há risco de fuga ou a necessidade de assegurar a reparação às vítimas. O caso de injúria racial envolvendo a advogada argentina continua a ser um exemplo de como a justiça busca equilibrar os direitos da defesa com a necessidade de punição e reparação para crimes de tamanha gravidade.
