Um homem, que já havia sido condenado por manter sua companheira em cárcere privado por cinco anos, foi preso novamente no Paraná. A reincidência de cárcere privado aconteceu nesta terça-feira, em Itaperuçu, na Região Metropolitana de Curitiba. Jean Machado Ribas estava em regime semiaberto depois de cumprir apenas dez meses de sua pena original. Esse tempo é bem menor que os cinco anos em que a mulher viveu trancada em casa, sofrendo violência.
A polícia prendeu Jean Ribas após a Justiça aceitar um pedido do Ministério Público do Paraná (MP-PR). O MP-PR solicitou a revisão da pena porque Jean descumpriu uma medida protetiva. Com essa revisão, a condenação pode subir para mais de dez anos, e ele terá que cumprir a pena em regime fechado. O Ministério Público também pediu a prisão imediata do homem, alegando que já existe uma decisão judicial que determina sua permanência na cadeia. A defesa de Jean não se manifestou até o momento da atualização desta reportagem.
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O resgate e o histórico de violência
O caso de cárcere privado veio à tona em março de 2025. Naquela época, as autoridades resgataram a vítima e seu filho de quatro anos. Ela conseguiu pedir ajuda enviando um e-mail para a Casa da Mulher Brasileira. Duas semanas antes do resgate, a mulher já tinha tentado pedir socorro. Ela deixou um bilhete em um posto de combustíveis, mas nem ela nem o marido foram localizados naquele momento. A mulher contou, em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo, como era sua vida sob o domínio de Jean. Ela relatou que ele a agredia com socos e a ameaçava de morte caso tentasse fugir. “Eu tive quatro celulares, e os quatro ele quebrou. Porque eu mandava mensagem para a minha família pedindo ajuda e ele quebrava”, disse a vítima. Além disso, ela mencionou que a família de Jean a chamava de “louca”, pois ele agia diferente na frente dos outros.
Ações da Justiça e a reincidência de cárcere privado
No dia em que as autoridades resgataram a vítima, a polícia prendeu Jean em flagrante. A polícia o interrogou, mas depois o liberou. Em seguida, ele fugiu. Após 29 dias foragido, ele se entregou à polícia em abril de 2025. Desde então, o caso teve uma série de prisões e solturas. Em abril de 2025, Jean se entregou e começou a cumprir prisão preventiva. Ele permaneceu preso por cerca de sete meses, até novembro de 2025. Naquele mês, o tribunal o condenou a seis anos de prisão. Contudo, o tribunal determinou a pena em regime semiaberto, e as autoridades o colocaram em liberdade pouco tempo depois.
A recente prisão mostra a complexidade e a urgência de casos envolvendo violência doméstica e a reincidência de cárcere privado. O sistema judicial agora analisa a nova situação e as implicações do descumprimento das medidas. É essencial que as vítimas de violência saibam onde buscar apoio e ajuda para evitar a reincidência de cárcere privado e outros abusos.
