O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a inocência de pessoas que foram condenadas pela morte de Evandro Ramos Caetano. Isso aconteceu quase 34 anos depois do crime, e o verdadeiro responsável pelo ocorrido nunca foi descoberto. Com a decisão do STF nesta terça-feira, o processo do Caso Evandro está encerrado, sem chance de novos recursos.
Em 1992, o menino Evandro, com seis anos de idade, sumiu enquanto ia da sua casa para a escola em Guaratuba, no litoral do Paraná. Naquela época, vários desaparecimentos de crianças assustaram o estado. Segundo as informações, Evandro estava com a mãe, Maria Caetano, que trabalhava em uma escola municipal. Ele disse que voltaria para casa, pois tinha esquecido um mini-game. Depois disso, ninguém mais o viu.
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O Começo do Caso Evandro e as Primeiras Acusações
Um corpo com sinais de muita violência foi achado em um matagal no dia 11 de abril de 1992. O pai de Evandro, Ademir Caetano, reconheceu o filho no IML de Paranaguá por causa de uma pequena marca de nascença nas costas. A partir daí, a polícia iniciou uma investigação que levou à acusação de sete pessoas pelo crime.
Entre os acusados estavam Airton Bardelli dos Santos, Francisco Sérgio Cristofolini, Vicente de Paula, Osvaldo Marcineiro, Davi dos Santos Soares, além de Celina Abagge e sua filha Beatriz Abagge. Na época, Celina era a esposa do então prefeito de Guaratuba, Aldo Abagge. A polícia afirmou que a criança foi morta em um ritual religioso, que teria sido encomendado por Celina e Beatriz. Osvaldo Marcineiro, Vicente de Paula Ferreira e Davi dos Santos Soares também foram apontados como participantes do suposto ritual.
Dúvidas e Reviravoltas no Caso Evandro
Celina e Beatriz confessaram o crime depois de serem presas. Contudo, elas alegaram mais tarde que a polícia as torturou para que admitissem a participação no ritual. Em 2020, fitas de áudio que registraram atos de tortura contra os acusados foram descobertas e divulgadas. Essas gravações jogaram uma nova luz sobre as confissões iniciais, levantando sérias dúvidas sobre a validade delas.
Além disso, a principal testemunha de acusação, Edésio da Silva, que dizia ter visto Evandro no carro com os acusados, acabou se contradizendo durante um dos julgamentos. Outro ponto crítico foi o suicídio do perito Dr. Raul de Moura Rezende. Ele havia feito um exame que não indicou tortura após as prisões e tirou a própria vida no dia em que deveria prestar depoimento. As fitas da confissão, apresentadas nos julgamentos, tinham trechos editados que omitiam os atos de tortura, o que reforçou as suspeitas sobre a investigação.
Uma Longa Busca por Justiça no Caso Evandro
O processo judicial foi bastante complicado, com cinco julgamentos ao longo dos anos. Um deles, ocorrido em 1998, ficou conhecido como o mais longo da história do Judiciário brasileiro. A frase de um dos ex-condenados, que teve sua inocência reconhecida, resume bem a situação: “Uma justiça que demora mais de 30 anos é uma meia-justiça”. Essa declaração mostra o sentimento de quem esperou por décadas para ter sua inocência provada.
Com a decisão do STF, que manteve a posição do Superior Tribunal de Justiça (STJ), os ex-condenados são oficialmente inocentes. No entanto, o verdadeiro assassino de Evandro Ramos Caetano continua desconhecido. O encerramento do processo deixa uma pergunta sem resposta: quem realmente matou o menino Evandro? O caso, que marcou a história do Paraná, permanece como um mistério sem solução para a família e para a sociedade.
