Em Governador Valadares, o Tribunal de Contas de Minas Gerais (TCE-MG) tomou uma decisão importante. Bloqueou os bens do prefeito Coronel Sandro (PL) e da secretária de Educação. O motivo são problemas encontrados em um contrato de transporte escolar. Esta medida busca garantir a recuperação de dinheiro público, caso haja prejuízo aos cofres. O valor total do bloqueio é de R$ 908 mil e deve durar um ano.
A saber, a decisão foi assinada pelo conselheiro em exercício Licurgo Mourão. Ela visa proteger o dinheiro dos contribuintes diante de possíveis desvios.
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Entenda as Irregularidades no Contrato de Transporte Escolar
A investigação do TCE começou após denúncias sobre o contrato feito através do Consórcio Interfederativo de Minas Gerais (Ciminas). Aliás, identificaram várias falhas. Por exemplo, houve problemas no planejamento do serviço e a pesquisa de preços não foi bem feita. Além disso, o modelo de contratação usado não parecia o mais adequado. A análise técnica também apontou sinais de que os valores estavam acima do normal.
Dessa forma, a apuração revelou pontos críticos na gestão do contrato. Estes pontos levantam questões sobre a transparência e a eficiência dos gastos públicos.
O Aumento de Quilometragem e o Prejuízo Estimado
Um dos pontos que mais chamou a atenção foi o aumento da quilometragem prevista. O contrato anterior estimava cerca de 3.634 quilômetros por dia. Contudo, o novo contrato passou a prever mais de 9.400 quilômetros diários. Isso representa um crescimento de 161% sem uma justificativa clara. O TCE calcula que este aumento pode ter gerado um prejuízo de aproximadamente R$ 3,8 milhões entre setembro e dezembro de 2025. Para a decisão atual, o valor considerado foi de R$ 908 mil, uma estimativa mais conservadora.
Portanto, a diferença nos números levantou sérias dúvidas. Ela indica uma possível má gestão ou uso indevido dos recursos destinados ao transporte escolar.
Por Que o Transporte Escolar Não Foi Parado?
Apesar de todas as irregularidades, o contrato de transporte escolar não foi suspenso. O tribunal entendeu que este é um serviço essencial. Pará-lo poderia prejudicar muito os alunos da rede pública de ensino. Assim, o TCE pediu aos responsáveis que apresentem documentos importantes. Eles devem mostrar notas fiscais, mapas das rotas e comprovantes de quilometragem. Isso vai ajudar a continuar a apuração dos fatos.
Adicionalmente, esta medida garante a continuidade do serviço. Ao mesmo tempo, permite que a investigação siga seu curso para esclarecer os fatos.
Prefeito Contesta Acusações e Câmara Também Investiga
O prefeito Coronel Sandro se manifestou sobre o caso. Ele disse que as acusações de problemas no transporte escolar são perseguição política. O prefeito alegou ainda que ele e sua família estão sendo ameaçados por empresários da cidade. A decisão do bloqueio de bens ainda precisa ser analisada pela Primeira Câmara do Tribunal de Contas. Enquanto isso, a Câmara Municipal de Governador Valadares também está de olho no assunto. Os vereadores abriram uma comissão para investigar o mesmo contrato.
Finalmente, a situação mostra uma ampla mobilização de órgãos de controle. Todos buscam clareza e responsabilidade na gestão dos recursos públicos.
