Trabalhadora de frigorífico rompe contrato por EPI vencido

Uma operadora de produção de um frigorífico em Passos, Minas Gerais, conseguiu na Justiça o direito de encerrar seu contrato de trabalho após a empresa fornecer EPI vencido.

Uma operadora de produção de um frigorífico em Passos, Minas Gerais, conseguiu na Justiça o direito de encerrar seu contrato de trabalho. A decisão veio porque a empresa fornecia EPI vencido, colocando a segurança da funcionária em risco. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconheceu que a conduta do empregador foi uma falha grave, quebra de regras do contrato e da lei. Por isso, a trabalhadora teve direito à rescisão indireta, que é como uma demissão sem justa causa, com todos os direitos trabalhistas.

A funcionária atuava na empresa desde 2019. Ela alegou, além do uso de EPI vencido, que não recebia o adicional de insalubridade. Também informou que era exposta a ruídos altos. Uma perícia confirmou que os protetores auriculares dados pela empresa não protegiam de forma adequada, pois estavam fora do prazo de uso. Isso significa que o equipamento não cumpria sua função de manter a saúde da trabalhadora, deixando-a vulnerável a danos auditivos e outros problemas.

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A Importância da Validade do EPI no Processo

No começo, a Justiça em Minas Gerais concedeu o adicional de insalubridade para a trabalhadora. No entanto, ela negou o pedido de rescisão indireta. O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) entendeu que o problema do EPI vencido não era tão grave a ponto de justificar o fim do contrato. A trabalhadora, então, levou o caso para o TST, buscando reverter essa decisão.

O ministro Agra Belmonte, relator do processo no TST, explicou a decisão. Ele lembrou que a Constituição Federal e acordos internacionais garantem o direito a um ambiente de trabalho seguro. Para o ministro, dar equipamentos de proteção que não funcionam é uma prova clara de que o empregador não cuida bem da segurança de seus funcionários. Ele afirmou: “Nessa circunstância, é plenamente justificável o reconhecimento da rescisão indireta do contrato de trabalho.” Esta afirmação mostra a seriedade com que o TST trata a questão da segurança.

Consequências de Fornecer EPI Vencido e Inadequado

A decisão do TST reforça que empresas têm a obrigação de dar condições seguras de trabalho. Quando um empregador fornece EPI vencido ou inadequado, ele falha em uma de suas principais responsabilidades. Isso pode levar a acidentes de trabalho, doenças ocupacionais e, em casos extremos, até mesmo à morte. A Justiça entende que, nessas situações, o trabalhador não precisa continuar no emprego, pois sua integridade física está em risco.

O caso da operadora de produção serve de alerta para todas as empresas. Manter os equipamentos de proteção individual em dia, com validade e em boas condições, é fundamental. O descumprimento dessas normas pode gerar processos judiciais caros e prejudicar a imagem da companhia. Além disso, mostra a importância de o trabalhador conhecer seus direitos e denunciar irregularidades. Isso inclui buscar apoio legal quando sentir que sua segurança está comprometida. A segurança no trabalho é um direito de todos e uma responsabilidade que as empresas devem levar a sério. Portanto, fiscalizar a validade e a qualidade dos EPIs é um dever contínuo dos empregadores.