Família Luta Contra Burocracia Para Enterrar Corpo de Mulher em Sorocaba

Após a morte de Lígia Ferreira de Souza em Sorocaba, sua família enfrenta um doloroso impasse: a burocracia impede o enterro do corpo há mais de duas semanas. A filha busca ajuda para resolver o problema da certidão de óbito e permitir o sepultamento.

Em Sorocaba, uma família enfrenta um problema difícil após a morte de Lígia Ferreira de Souza, de 49 anos. A cozinheira foi morta pelo companheiro, mas passadas mais de duas semanas, uma burocracia impede o enterro de seu corpo, tornando o adeus ainda mais difícil. A filha da vítima busca uma solução para este impasse, que mantém o corpo da mãe em uma funerária em Guarapari, Espírito Santo, sua cidade natal, esperando um sepultamento.

Lígia, que era de Guarapari, morava em Sorocaba há uns seis meses. Depois da morte, a família conseguiu levar o corpo para o Espírito Santo. Mas a esperança de um adeus rápido virou preocupação. O corpo continua na funerária há 16 dias, porque uma questão na documentação impede a emissão da certidão de óbito, documento que é preciso para o enterro.

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Onde a Burocracia Impede o Enterro

Carla Cristina de Souza, filha de Lígia, contou a situação ao g1. Ela explica que a maior dificuldade está no endereço que aparece na declaração de óbito da mãe. O papel indica Sorocaba como a cidade onde ela morava. Por isso, o cartório de Guarapari, onde a família tenta fazer a certidão, não consegue terminar o processo. Este erro na informação cria o problema e impede a família de seguir em frente.

A família foi orientada a voltar para Sorocaba para resolver tudo. Carla, portanto, precisa de uma decisão de um juiz para corrigir o endereço. Ela espera por esta assinatura para tentar resolver o caso. Sem a certidão de óbito correta, o sepultamento não pode acontecer. Assim, a dor do luto se mistura com a chateação e a espera.

Burocracia e o Custo Para a Família

Além do luto e da espera pelo sepultamento, a família de Lígia tem grandes dificuldades financeiras. Resolver o problema pode exigir uma nova viagem de quase mil quilômetros até Sorocaba, o que é um custo impossível para Carla agora. “Eu não tenho mais dinheiro para ir para Sorocaba fazer isso”, fala a filha, mostrando o peso da situação.

Carla explica os passos que teria que seguir se não conseguir resolver de longe. Ela precisaria ir a Sorocaba, pegar papéis na perícia e depois ir para Vitória, capital do Espírito Santo, para fazer outra ocorrência em Guarapari. A complicação do processo e a falta de dinheiro pioram ainda mais o sofrimento da família, que só quer enterrar a mãe.

O Que Dizem Sobre o Enterro

O Cemitério Parque Paraíso, em Guarapari, mandou pêsames para a família. Em um comunicado, o cemitério disse que a Lei dos Registros Públicos exige a certidão de óbito para o sepultamento. A responsabilidade por fazer este documento, segundo o cemitério, é do Cartório de Registro Civil. Assim, o cemitério apenas segue a lei.

A filha de Lígia procurou ajuda na assistência social de Guarapari, mas, segundo ela, a situação não teve uma solução. A equipe do g1 tentou falar com a Secretaria Municipal de Trabalho, Assistência e Cidadania (SETAC) de Guarapari e com a Secretaria da Cidadania (SECID) de Sorocaba para ter informações. Contudo, até a última atualização da reportagem, as secretarias não responderam. Isso mostra a falta de comunicação e de apoio para a família.

A história de Lígia Ferreira de Souza mostra bem como a burocracia impede o enterro e pode estender a dor de uma família em um momento de muita dor. A luta continua para que o corpo da cozinheira possa, enfim, descansar, e sua família possa começar o luto do jeito certo.