A educação socioemocional vem ganhando espaço nas escolas e por um bom motivo. Muitos adolescentes hoje em dia se sentem irritados ou nervosos frequentemente, e alguns pensam que ninguém se importa com eles. Pesquisas recentes indicam que mais de 40% dos jovens relatam irritação ou nervosismo constante. Além disso, 30% sentem-se desimportantes e 21% chegam a duvidar do valor da vida.
Esses números mostram um problema sério: a saúde mental de crianças e jovens está em jogo. As rápidas mudanças no mundo, a vida conectada e a pressão das redes sociais contribuem para isso. Portanto, a escola precisa se adaptar. Ensinar apenas matemática e português já não é o bastante para o sucesso dos alunos. Como esperar que eles aprendam e participem se não sabem lidar com o que sentem?
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O Papel da Educação Socioemocional na BNCC
Mesmo que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) não cite diretamente a educação socioemocional, ela valoriza muito o desenvolvimento de habilidades importantes. Por exemplo, autoconhecimento, empatia, capacidade de resolver conflitos e resiliência emocional são parte das dez competências gerais da BNCC. Isso mostra como essas habilidades são cruciais para o aprendizado e o bem-estar dos estudantes.
Autoconhecimento e a Evolução da Educação
Ariela Costa Marques, Supervisora Pedagógica da Educação Infantil de uma rede de ensino em Salvador, explica que a sociedade busca cada vez mais o autoconhecimento. A educação infantil, por exemplo, já incentiva as crianças a serem protagonistas do próprio aprendizado. Isso inclui o desenvolvimento emocional.
Ela compara a educação atual com a do passado. Antes, as pessoas precisavam “conter” o que sentiam, “engolir” o choro. Como resultado, muitos adultos hoje têm dificuldade em lidar com suas emoções. Agem de forma impulsiva ou até violenta. Contudo, eles também tentam poupar os filhos de qualquer desconforto emocional, o que pode atrapalhar o desenvolvimento pessoal.
Benefícios da Educação Socioemocional
Permitir que crianças e adolescentes entendam seus sentimentos, desejos, pontos fortes e fracos é o que a educação socioemocional propõe. Nesse sentido, Ariela acredita que isso é fundamental para que eles se conheçam e se fortaleçam como indivíduos. Por fim, ela conclui que essa abordagem contribui muito para formar uma sociedade com pessoas mais fortes, empáticas, cuidadosas e verdadeiramente humanas.
Educação Socioemocional: Quebrando Padrões
Quebrar o ciclo de dificuldades emocionais é um desafio. As gerações mais novas, como millennials e geração Z, cresceram com a pressão de serem sempre felizes, produtivas e competitivas. No entanto, esta pressão, aliada à constante exposição nas redes sociais, pode gerar ansiedade e frustração. A escola, portanto, tem um papel vital em equipar os alunos com as ferramentas para navegar neste mundo complexo.
Como Aplicar a Educação Socioemocional
Aulas que promovem o diálogo sobre sentimentos, atividades que ensinam a colaboração e projetos que desenvolvem a autoconfiança são algumas das formas de aplicar a educação socioemocional. Assim, os estudantes aprendem a identificar suas emoções e a lidar com elas de maneira saudável. Além disso, eles desenvolvem a capacidade de entender e respeitar os sentimentos dos outros, construindo relações mais positivas.
Em suma, investir nessas habilidades é investir no futuro. De fato, alunos com boa inteligência emocional tendem a ter melhor desempenho escolar, menos problemas de comportamento e maior satisfação com a vida. Dessa forma, a inclusão da educação socioemocional no currículo escolar não é apenas uma tendência. Pelo contrário, é uma necessidade urgente para formar cidadãos completos e preparados para os desafios do século XXI.
