Condenado pela Morte de Mãe Bernadete Morre em Confronto Policial na Bahia

Um dos condenados pelo assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete, Marílio dos Santos, morreu em um confronto com a polícia na Bahia. O caso se desenrola após seu julgamento e condenação a quase 30 anos de prisão.

Um homem condenado pela morte de Mãe Bernadete morreu em confronto com policiais militares. O tiroteio, aliás, aconteceu na madrugada de quinta-feira, 16 de abril. O local foi a zona rural de Catu, perto de Salvador, na Bahia. Marílio dos Santos, conhecido como ‘Maquinista’, era o mandante do assassinato da líder quilombola. Ele estava foragido.

Marílio dos Santos havia sido condenado a quase 30 anos de prisão. Ele era um nome importante no tráfico de drogas da região e, segundo as investigações, ordenou a morte de Mãe Bernadete porque ela se opunha às atividades criminosas do grupo. A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), desse modo, informou que a morte de “Maquinista” ocorreu enquanto a polícia tentava cumprir um mandado de prisão. Assim, durante a ação, uma arma e munições foram apreendidas com ele, confirmando a natureza perigosa do foragido.

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O Julgamento da Morte de Mãe Bernadete

O julgamento de Marílio dos Santos aconteceu na terça-feira, 14 de abril, na capital baiana. O júri popular ocorreu quase três anos após o crime, mostrando a demora na resolução do caso. A decisão, portanto, saiu por volta das 21h. Isso foi após dois dias de audiência no Fórum Criminal Ruy Barbosa, no centro da cidade. Mesmo foragido, a Justiça determinou que Marílio fosse a júri popular, pois ele tinha um advogado constituído para sua defesa.

Além de Marílio, outro homem envolvido no caso, Arielson da Conceição dos Santos, apontado como executor do crime, também foi julgado. Arielson recebeu a mesma pena: 29 anos e 9 meses de prisão. Ambos foram condenados por homicídio qualificado. O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) explicou as qualificadoras. Elas incluíram motivo torpe, uso de meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Além disso, houve uso de arma restrita. Arielson também foi condenado por roubo, adicionando outra camada de gravidade ao seu histórico.

Quem Era Mãe Bernadete e a Motivação do Crime

Mãe Bernadete, uma ialorixá e líder quilombola respeitada, foi morta com 25 tiros. O crime brutal, por exemplo, aconteceu em agosto de 2023, dentro do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Sua atuação na comunidade e sua defesa dos direitos dos quilombolas a tornaram uma figura importante, mas também a colocaram em rota de colisão com criminosos locais. A oposição dela ao tráfico de drogas e outras ações ilícitas é vista como a principal motivação para seu assassinato.

Marílio dos Santos, com o apelido de “Maquinista”, não era um criminoso qualquer. Ele estava na lista dos foragidos mais perigosos da Bahia, conhecido como “Ás de Ouros” do Baralho do Crime. Este catálogo, aliás, divulgado pela Secretaria de Segurança Pública, ajuda a localizar criminosos procurados, mostrando seus nomes, apelidos, áreas de atuação e fotos. A divulgação busca a colaboração da população por meio de denúncias anônimas, que são essenciais para a captura desses indivíduos.

A Luta por Justiça na Morte de Mãe Bernadete

Organizações de direitos humanos acompanham o caso de perto. A Anistia Internacional, por exemplo, comemorou as condenações dos réus. Contudo, a organização destacou que a justiça completa ainda não foi alcançada. Eles enfatizam a necessidade de responsabilizar todos os envolvidos, não apenas os que já foram condenados. Além disso, a Anistia Internacional pede reparação integral para a família e a comunidade. Também solicitam mudanças nas práticas institucionais. Essas práticas deixam defensores de direitos vulneráveis à violência. A memória de Mãe Bernadete serve como um lembrete. O Estado brasileiro tem a obrigação de punir e, mais importante, de transformar essa realidade. A mensagem é clara: defender direitos não deve custar a vida de ninguém.

Este trágico episódio, envolvendo a morte de Mãe Bernadete e a recente morte de um dos seus condenados, ressalta os desafios enfrentados por líderes comunitários no Brasil. A busca por justiça continua sendo um processo longo e complexo. A condenação dos réus representa um passo, mas a luta por segurança e direitos para todos os defensores segue em frente.