O número de pessoas condenadas por agressão contra mulheres cresceu bastante na Bahia. Nos últimos cinco anos, as condenações Lei Maria da Penha Bahia aumentaram mais de 600%. Isso mostra que a justiça está punindo mais agressores, mas também revela que a violência contra a mulher continua sendo um problema que persiste no estado. Os dados foram divulgados pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) à TV Bahia, e apontam para uma situação que exige atenção.
Aumento das Condenações Lei Maria da Penha na Bahia
Entre 2020 e 2025, o total de condenações em primeira instância, referentes à Lei Maria da Penha, saltou de 771 para 5.771. Essa é uma elevação de 648,5%. Em 2020, houve 771 condenações. No ano seguinte, em 2021, o número subiu para 1.482. Em 2022, foram 2.077 condenações, e em 2023, o total chegou a 2.811. O ano de 2024 registrou 4.283, e finalmente, em 2025, o estado alcançou 5.771 condenações. Portanto, os números indicam uma tendência clara de aumento.
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Desafios na Efetivação da Lei no Interior
Essa elevação pode significar que as leis de proteção à mulher estão funcionando melhor e que mais casos chegam a uma decisão judicial. Contudo, ela também aponta para a persistência da violência doméstica. A desembargadora Nágila Maria Sales Brito, do TJ-BA, falou sobre as dificuldades de aplicar essas leis, principalmente no interior do estado. Ela explicou que nessas regiões, muitas vezes, faltam redes de apoio, como a Ronda Maria da Penha ou Casas da Mulher Brasileira. Essas estruturas são importantes para ajudar as vítimas a se recuperarem e seguirem em frente após a violência.
Desafios e Avanços no Combate à Violência
Apesar do aumento nas condenações Lei Maria da Penha Bahia, o combate à violência contra a mulher ainda enfrenta obstáculos. A falta de estruturas de apoio nas cidades menores dificulta a proteção integral das vítimas. Além disso, a recuperação de uma mulher que sofreu violência doméstica exige um acompanhamento psicológico e social que nem sempre está disponível em todas as localidades. Por exemplo, a ausência de um local seguro ou de suporte especializado pode fazer com que a vítima se sinta desamparada.
Novas Unidades e Batalhão Maria da Penha
Por outro lado, o governo do estado tem implementado medidas para fortalecer a segurança pública e o atendimento às mulheres. O secretário de Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, destacou a criação de novas unidades especializadas. Foram inaugurados 18 Núcleos Especializados de Atendimento à Mulher (NEAMs) e Delegacias Especializadas em Atendimento à Mulher (DEAMs) em diversas cidades. Essas unidades oferecem um acolhimento e um atendimento diferenciado para as vítimas. Ademais, o Batalhão Maria da Penha foi criado e tem um papel importante na proteção das mulheres no estado.
Juazeiro Dá Exemplo com Nova Lei
Em uma iniciativa notável, a cidade de Juazeiro, no norte da Bahia, aprovou uma lei que proíbe a nomeação de pessoas condenadas pela Lei Maria da Penha ou por crimes de feminicídio para cargos públicos. A Lei nº 3.314/2026, publicada em 23 de março, abrange cargos de livre nomeação e exoneração, funções de confiança, processos seletivos simplificados (REDA) e contratações temporárias. Assim, a cidade busca coibir a participação de agressores em funções públicas.
A nova regra de Juazeiro também exige que os editais de concursos públicos informem claramente essa restrição. Além disso, a lei recomenda que os editais de licitação e os contratos com empresas terceirizadas incluam uma cláusula para que essas empresas também considerem essa restrição ao contratar. Essa medida serve como um exemplo de como municípios podem ir além das leis estaduais e federais para proteger as mulheres e evitar que agressores ocupem posições de poder. É uma forma de reforçar a importância do respeito e da não-violência em todos os setores da sociedade.
Em suma, o aumento das condenações Lei Maria da Penha Bahia reflete um cenário complexo. Por um lado, mostra um avanço na aplicação da justiça. Por outro, evidencia a persistência da violência. As ações do governo e as iniciativas locais, como a de Juazeiro, são passos importantes. Contudo, é fundamental continuar investindo em redes de apoio e na conscientização para erradicar de vez a violência contra a mulher. Continue acompanhando as notícias sobre este tema e saiba como a sociedade pode contribuir para um futuro mais seguro para todos.
