“Olha a Jéssica!”: Entenda por que o truque viral acalma crianças

A trend “Olha a Jéssica!” virou febre nas redes sociais como uma solução instantânea para o choro infantil. Mas o que há por trás dessa técnica de distração? Especialistas explicam o mecanismo psicológico e alertam sobre os cuidados necessários para não anular as emoções das crianças.

Muitos pais já viram um filho chorando sem parar. De repente, alguém fala: “Olha a Jéssica!” A criança para, confusa, procurando a tal pessoa. Essa técnica virou moda na internet como a trend “Olha a Jéssica”. Ela promete acabar com o choro na hora. Mas será que funciona mesmo? O que acontece na cabeça da criança quando isso ocorre? Especialistas falam sobre os riscos e benefícios dessa distração.

Como a distração “Olha a Jéssica” funciona?

Não existe mágica por trás do nome “Jéssica” que acalme uma criança. O que acontece, na verdade, é um truque psicológico. Ele é conhecido como redirecionamento de atenção. Quando uma criança está em crise, ela se encontra em um turbilhão de emoções e sensações. Nesse contexto, o cérebro dela ainda não consegue processar tudo isso de forma madura. Assim, o estímulo repentino, como o grito sobre a “Olha a Jéssica”, age como uma novidade. Ele compete com a agitação interna do pequeno.

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O cérebro da criança troca o foco. Ela sai do choro e começa a pensar: “O que está acontecendo agora?”. A psicóloga Bianca Dalmaso, do Espaço Einstein, explica que a criança não se acalma de verdade. Além disso, ela apenas suspende a reação de chorar naquele instante. Portanto, é uma pausa no comportamento, não uma resolução da emoção. É como se o cérebro mudasse de canal, buscando uma nova informação para processar.

A ciência por trás da curiosidade infantil

A inteligência infantil, em fases iniciais, é bastante prática. O psicólogo Jean Piaget mostrou que crianças pequenas aprendem ao manipular objetos e viver experiências sensoriais. Elas fazem isso antes mesmo de desenvolverem o pensamento simbólico ou usar linguagem mais complexa. Dessa forma, estratégias que as tirem de uma situação de caos emocional podem ajudar na regulação.

A professora Luciene Tognetta, da Unesp, reforça essa ideia. Ela afirma que a criança para de chorar porque é levada para outra situação. A mãe ou o pai, em vez de alimentar o conflito ou insistir no problema, propõe um novo cenário. Por exemplo, em vez de falar “Olha a Jéssica!”, eles poderiam dizer: “Olha o passarinho passando ali! Não acredito, ele voou por cima da cerca!”. Mudar o tom de voz e chamar a atenção para algo externo realmente muda o foco do filho, tirando-o daquele estado emocional intenso.

Usar ou não usar: Os limites da técnica “Olha a Jéssica”

É importante entender quando a técnica “Olha a Jéssica” é útil e quando pode ser prejudicial. Ela costuma funcionar bem para as chamadas “birras”. Estas são crises de raiva ou frustração. Nesses casos, a criança busca algo e reage de forma exagerada ao não conseguir. No entanto, se o choro for por cansaço, dor, medo ou tristeza real, a distração provavelmente não terá efeito. Contudo, os pais precisam interpretar o que o filho está sentindo.

Os riscos da distração excessiva para o desenvolvimento infantil

Além disso, o uso constante da distração pode trazer riscos. Alguns especialistas alertam que a técnica de “Olha a Jéssica” pode anular as emoções da criança. Ao ser sempre distraída, ela não aprende a lidar com seus próprios sentimentos. A habilidade de autorregulação não se desenvolve. Esta é a capacidade de gerenciar as emoções. Em outras palavras, a criança não entende o porquê daquele sentimento e como superá-lo sozinha. Portanto, é crucial buscar um equilíbrio. Assim, a distração pode ser uma ferramenta rápida em momentos pontuais, mas não deve substituir o apoio e a validação emocional que os pais oferecem.

O ideal é que, após a pausa no choro, os pais conversem com a criança. Eles podem ajudar a nomear o sentimento e a encontrar formas mais saudáveis de expressá-lo. Portanto, a chave está em usar a distração como um recurso temporário. Ao mesmo tempo, é preciso construir uma base sólida para a inteligência emocional do pequeno.