A forma como os adolescentes brasileiros se sentem sobre o próprio corpo tem mudado para pior nos últimos anos. Uma pesquisa recente mostra que menos jovens estão felizes com sua imagem. Este assunto, a satisfação corporal de adolescentes, é importante e tem caído desde 2015. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) coletou estes dados, que indicam um problema que afeta muitos estudantes em todo o país.
A Queda na Satisfação Corporal de Adolescentes
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, do IBGE, mostram uma queda constante. Em 2015, por exemplo, 70,2% dos jovens de 13 a 17 anos diziam estar “satisfeitos” ou “muito satisfeitos” com o corpo. Este número caiu para 66,5% em 2019. Agora, em 2024, apenas 58,0% dos estudantes se sentem assim. Além disso, a insatisfação subiu para 27,2%. Cerca de 14,0% dos jovens não mostraram sentir nada sobre o tema. Portanto, a tendência é de menos bem-estar em relação ao corpo.
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As meninas sentem mais esta insatisfação. A pesquisa, aliás, aponta que 36,1% das adolescentes não estão satisfeitas com seus corpos. Este número é quase o dobro do que se vê entre os meninos, onde 18,2% se sentem assim. Dessa forma, a questão da imagem corporal afeta as garotas de forma mais intensa.
O IBGE realiza a PeNSE junto com o Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação. Esta é a quinta vez que o levantamento acontece, feito em 2024. Ele incluiu mais de 12,3 milhões de jovens de 13 a 17 anos. Estes alunos estudam em escolas públicas e particulares por todo o Brasil. Eles responderam sobre o que pensam. Os diretores das escolas, por sua vez, falaram sobre a instituição e seu ambiente. Assim, a pesquisa oferece um panorama completo.
Como os Jovens Se Veem e o Desejo de Mudar o Corpo
Muitos estudantes se veem como “nem gordo, nem magro”, representando 44,7% do total. Contudo, a ideia de ser “magro” ou “muito magro” cresceu. Passou de 27,6% em 2015 para 36,9% em 2024. Em contrapartida, a percepção de ser “gordo” ou “muito gordo” diminuiu para 17,6%. Estas percepções, sem dúvida, influenciam o que os jovens fazem para mudar o peso.
Muitas meninas querem perder peso. Cerca de 31,7% delas têm este objetivo, enquanto 23,1% dos meninos também querem. Este desejo é mais comum entre alunos de escolas particulares, chegando a 36,8%. Por outro lado, o ganho de peso é a meta principal para os meninos, com 25,0% buscando isso. Para as meninas, 20,2% querem ganhar peso. Além disso, cerca de 36,3% dos adolescentes não fazem nada para mudar o peso. Portanto, a satisfação corporal de adolescentes está ligada a estas vontades de transformação.
Aparência e o Bullying nas Escolas
A preocupação com a aparência não afeta só a saúde mental. De fato, ela também motiva o bullying entre os estudantes. A PeNSE 2024 mostra que a aparência do rosto ou do cabelo (30,2%) e a aparência do corpo (24,7%) são os motivos mais citados para sofrer bullying. Isso, consequentemente, reforça como os padrões de beleza são importantes nas agressões. Mais de um quarto dos estudantes brasileiros enfrenta humilhações e agressões por causa da aparência. Assim, este tema gera um impacto direto na vida escolar.
Sentimentos e a Saúde Mental dos Jovens
Os resultados da PeNSE 2024 também abordam a saúde emocional dos adolescentes. Quase 29% dos estudantes disseram se sentir tristes “na maioria das vezes” ou “sempre”. Eles responderam sobre os 30 dias antes da pesquisa. No entanto, este índice varia entre meninos e meninas. As meninas, por exemplo, mostram uma maior tendência a relatar tristeza.
Entender a satisfação corporal de adolescentes é crucial. Isso ajuda a criar ambientes mais saudáveis e a apoiar os jovens. Afinal, a forma como eles se veem afeta todo o seu bem-estar. Portanto, é preciso atenção a estes dados para agir de forma eficaz.

