Muitas adolescentes no Brasil perdem aulas na escola por um motivo simples: a falta de absorventes. Um levantamento recente do IBGE mostra que esta é uma realidade para cerca de 15% das estudantes com idades entre 13 e 17 anos. Elas deixaram de ir à escola pelo menos um dia no último ano porque não tinham o item essencial para a higiene menstrual. Esta situação afeta diretamente o aprendizado e a presença escolar das meninas. Assim, isso gera uma barreira que muitas vezes passa despercebida. É importante entender o tamanho deste problema para buscar soluções eficazes.
Os Números da Ausência Escolar
A pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, feita pelo IBGE junto com o Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação, traz dados importantes. Cerca de 15% das alunas brasileiras, na faixa dos 13 aos 17 anos, faltaram à escola por não terem absorventes. Este número representa uma parcela significativa de jovens que perdem conteúdo e oportunidades. Além disso, a comparação entre as escolas públicas e privadas mostra uma diferença grande. Nas escolas públicas, aproximadamente 17% das meninas enfrentaram este problema. Já na rede privada, o índice foi bem menor, cerca de 6%. Isso evidencia uma desigualdade social importante que se reflete no acesso a itens básicos. A PeNSE coletou informações de mais de 12,3 milhões de jovens em todo o país.
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Desigualdades Regionais no Acesso a Absorventes
A falta de absorventes e seu impacto na educação também variam bastante entre os estados. Santa Catarina, por exemplo, registrou o menor índice de faltas por este motivo, com 9,2% das alunas. Contudo, na outra ponta, o Amazonas teve o maior índice, com 27,9% das adolescentes perdendo dias de aula. Isso significa que quase uma em cada três meninas amazonenses faltou à escola por não ter absorvente.
O IBGE também analisou a oferta de absorventes nas próprias escolas. Na região Sudeste, 92% das alunas estudavam em escolas que forneciam o item, sendo o maior índice entre as grandes regiões. Em contraste, a região Norte apresentou o menor percentual, com apenas 56% das alunas tendo acesso a absorventes nas instituições de ensino. Essa diferença regional na disponibilidade do produto dentro das escolas é um fator chave para entender as disparidades nas faltas. Veja alguns exemplos de estados com alta e baixa oferta:
- Santa Catarina e Goiás: 94,1% das escolas oferecem.
- São Paulo: 93,7% das escolas oferecem.
- Pará: 43,3% das escolas oferecem.
- Roraima: 38,5% das escolas oferecem.
A baixa oferta em algumas regiões reforça a necessidade de políticas públicas que garantam o acesso universal.
Combatendo a Carência e Promovendo a Dignidade
A falta de absorventes não é apenas um problema de higiene; é uma questão de dignidade e direito à educação. Quando as meninas não têm acesso a esses produtos, elas podem usar alternativas que trazem riscos à saúde, como panos ou papel, e acabam se afastando da escola. Portanto, garantir que as escolas ofereçam absorventes é um passo fundamental. Isso ajuda a manter as alunas na sala de aula, assegura sua saúde e combate a desigualdade. Programas de distribuição gratuita e campanhas de conscientização são essenciais para mudar este cenário. Assim, mais meninas podem frequentar as aulas sem preocupações, focando apenas em seus estudos e futuro. A sociedade como um todo se beneficia quando todos têm as mesmas oportunidades de aprendizado.
