Trabalho doméstico formal: queda de 21% em 10 anos no Brasil

O trabalho doméstico com carteira assinada no Brasil registrou uma queda de 21% em 10 anos, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Entenda os motivos.

O Brasil viu o número de trabalhadores domésticos com carteira assinada diminuir de forma significativa. Nos últimos dez anos, o setor registrou uma queda de 21,1%. Os dados são do Ministério do Trabalho e Emprego, que apontam uma redução de quase 347 mil vínculos formais entre 2016 e 2025. Este cenário reflete diversas transformações na sociedade e no mercado de trabalho.

Em 2016, o país contava com 1,64 milhão de trabalhadores domésticos formais. Já em 2025, esse número caiu para 1,30 milhão. Historicamente, o trabalho doméstico enfrenta desafios como alta informalidade, pouca proteção social e desigualdades de gênero e raça. A recente diminuição dos empregos formais não tem uma única causa, mas sim um conjunto de fatores estruturais que ajudam a entender esse movimento, conforme explicou Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho.

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Entendendo a Queda do Trabalho Doméstico Formal

Uma das principais razões para a redução do trabalho doméstico formal foi a mudança na legislação. A chamada PEC das Domésticas, de 2013, trouxe mais direitos para a categoria. No entanto, ela também elevou o custo da formalização, pois equiparou esses trabalhadores aos demais empregados formais.

A ampliação de obrigações, como o controle de jornada, o recolhimento de encargos e o pagamento de benefícios, aumentou os custos para os empregadores. Assim, muitos tiveram dificuldades para se adaptar às novas regras. Além disso, a pandemia de Covid-19, a partir de 2020, piorou a situação. O setor foi um dos mais atingidos, tanto pela queda da renda das famílias quanto pelo isolamento social e o risco de contágio. Até hoje, o número de vínculos formais não voltou ao que era antes da crise sanitária.

Outros Motivos para a Redução do Trabalho Doméstico Formal

Mudanças demográficas também influenciam o mercado de trabalho doméstico formal. A diminuição do número de crianças nas residências, por exemplo, reduziu a demanda por empregadas mensalistas. Estas eram mais comuns em casas com filhos pequenos, idosos ou pessoas doentes. Com os filhos mais velhos, muitas famílias começaram a dispensar esse tipo de contratação, buscando alternativas.

O custo da formalização é outro ponto importante. Ele leva parte dos empregadores a procurar formas de reduzir despesas. Isso impulsiona a informalidade ou a contratação como Microempreendedor Individual (MEI). Contudo, a modalidade MEI, na prática, não se aplica à maior parte das atividades domésticas contínuas. A especialista Paula Montagner acredita que a queda na demanda por empregadas domésticas está ligada à redução no número de filhos, ao tamanho menor das moradias e à tentativa de evitar custos como FGTS e contribuição previdenciária.

Por fim, as mudanças no modo de morar também têm seu peso. Apartamentos menores e a busca por mais privacidade levam as famílias a optar por serviços pontuais, como os de diaristas. Desse modo, elas evitam manter uma trabalhadora em tempo integral. Este movimento mostra uma adaptação das famílias às novas realidades e prioridades.

O Perfil dos Trabalhadores Domésticos

Em 2025, o perfil do trabalhador doméstico formal mostrou uma idade mais avançada. Este fato sugere uma mudança na dinâmica de entrada e permanência na profissão. A combinação de todos esses fatores desenha um cenário complexo para o setor, que continua a se transformar no Brasil.