Shell prevê queda na produção de gás e impactos financeiros no 1º trimestre

A Shell comunicou que espera uma produção de gás menor no primeiro trimestre, com impactos na liquidez, mas compensados pelo petróleo. A redução se deve a eventos geopolíticos e problemas operacionais.

A Shell comunicou que espera uma produção de gás menor no primeiro trimestre. A empresa também prevê um impacto na sua liquidez de curto prazo. Contudo, um aumento forte na venda de petróleo deve compensar parte desses problemas. Esta redução na produção de gás da Shell reflete um cenário global complexo. Ele é marcado por eventos geopolíticos e pela volatilidade nos mercados de commodities.

Conflitos Globais e a Produção de Gás da Shell

Os ataques entre Israel e Irã, iniciados no fim de fevereiro, geraram uma série de consequências. Primeiramente, o petróleo Brent, uma referência mundial, atingiu valores próximos a 120 dólares por barril. Em seguida, o Irã fechou o Estreito de Ormuz e realizou ataques a países vizinhos no Golfo. Além disso, a unidade de produção de gás Pearl, da Shell, localizada no Catar, precisa de aproximadamente um ano para ser totalmente reparada. Portanto, todos esses fatores contribuem para a expectativa de uma menor produção de gás pela companhia.

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Capital de Giro e a Volatilidade dos Preços

A Shell explicou que a grande variação nos preços das commodities causou oscilações nos valores dos estoques. Como resultado, o capital de giro, que mede a liquidez (ativos menos passivos), ficou entre menos 10 bilhões e menos 15 bilhões de dólares no trimestre. A empresa, no entanto, espera que esses valores se normalizem com o tempo, caso os preços de petróleo e gás diminuam. Analistas do RBC destacaram que a magnitude dessa oscilação mostra o quão incomuns as condições de mercado se tornaram. Apesar disso, eles acreditam que o balanço da Shell pode absorver esse impacto.

Perspectivas Otimistas e Novas Previsões

Apesar dos desafios na produção de gás, a Shell tem expectativas mais positivas para outras divisões. A empresa prevê que os resultados comerciais de seus negócios de produtos químicos e outros produtos, que incluem a venda de petróleo, serão bem melhores que no trimestre anterior. Os ganhos ajustados de sua área de marketing, que abrange os postos de combustível, também devem crescer. Por exemplo, analistas do RBC aumentaram a estimativa de lucro líquido para a Shell no primeiro trimestre em 7%, chegando a 6,8 bilhões de dólares. Eles também esperam um aumento de 31% no fluxo de caixa operacional, sem considerar o capital de giro, alcançando 17,1 bilhões de dólares. Similarmente, os analistas do UBS elevaram suas estimativas de lucro líquido em 18%, para 6,9 bilhões de dólares, e o fluxo de caixa operacional em 30%, para 16,3 bilhões de dólares.

Revisão na Projeção de Produção de Gás

A Shell, contudo, revisou para baixo sua previsão para a produção integrada de gás no primeiro trimestre. A estimativa agora é de 880 mil a 920 mil barris de óleo equivalente por dia, enquanto antes era de 920 mil a 980 mil. No quarto trimestre de 2025, a produção foi de 948 mil barris de óleo equivalente por dia. Por outro lado, a perspectiva para a produção de gás natural liquefeito (GNL) da Shell se manteve dentro do esperado. As restrições na Austrália e as interrupções no Catar foram compensadas por um aumento na produção de GNL no Canadá. Os resultados completos do trimestre devem ser divulgados em 7 de maio.