Dólar: Entenda a Alta e os Fatores que Movem seu Preço

O preço do dólar começou a semana influenciado por eventos globais e nacionais, como as tensões no Oriente Médio e a inflação no Brasil. Entenda os fatores que movem a moeda.

O preço do dólar começou a semana sob grande influência de eventos globais e nacionais. A valorização do petróleo, resultado das tensões no Oriente Médio, impacta diretamente as projeções de inflação e juros no Brasil. Além disso, investidores observam de perto tanto os movimentos do mercado internacional quanto as decisões econômicas internas.

No mercado internacional, o petróleo registrou nova rodada de alta. Isso acontece por conta do ceticismo sobre um possível cessar-fogo no conflito que envolve o Irã. A guerra já dura cerca de um mês. O barril de Brent, por exemplo, avançou para US$ 115,25. Enquanto isso, o WTI subiu para US$ 101,75. Portanto, as incertezas geopolíticas continuam a pressionar os preços da commodity.

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Dólar e o Cenário Geopolítico

As tensões no Oriente Médio são um fator crucial para a cotação do dólar. Por exemplo, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiou um ultimato que havia dado ao Irã. Ele ameaçou atacar instalações de energia iranianas. Isso ocorreria caso o país não permitisse a passagem de navios petroleiros por um estreito estratégico. No entanto, Trump afirmou ter adiado a ameaça após o governo iraniano autorizar a passagem de dez navios pela região.

Apesar dessa concessão, a capital iraniana, Teerã, voltou a ser alvo de bombardeios de Israel. Este cenário de instabilidade aumenta a aversão ao risco nos mercados globais. Por exemplo, a ministra do Interior do Reino Unido, Yvette Cooper, acusou o Irã de “tomar a economia mundial como refém”. Ela se referia à restrição do fluxo de petroleiros. Durante uma reunião do G7, representantes de países como Alemanha, Reino Unido e Canadá pressionaram o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Eles queriam que Rubio explicasse a estratégia da Casa Branca para o conflito.

Fatores Internos que Afetam o Dólar no Brasil

No Brasil, o preço do dólar também reage a fatores internos. O governo federal ainda tenta fechar um acordo com os estados sobre a proposta de subvenção compartilhada na importação de diesel. A reunião realizada na sexta-feira anterior terminou sem consenso entre as partes. Isso gera incerteza sobre os custos de combustíveis e, consequentemente, sobre a inflação.

Além disso, o cenário macroeconômico brasileiro mostra sinais de alerta. O mercado voltou a elevar a projeção para a inflação oficial do país neste ano. De acordo com o boletim Focus, a estimativa para o IPCA subiu para 4,31%, ante 4,17% na semana anterior. Este foi o terceiro aumento consecutivo. Diante desse cenário, também aumentam as apostas. O Banco Central pode reduzir os juros em um ritmo menor nos próximos meses. Isso impacta diretamente o fluxo de capitais e a percepção de risco para investimentos no Brasil.

O Desemprego e a Economia Nacional

A taxa de desemprego no Brasil, por sua vez, subiu para 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro. Este aumento foi puxado principalmente pelo fim de vagas temporárias, comuns no final do ano. Contudo, o mercado de trabalho ainda mostra resiliência em alguns setores, mas o aumento da taxa é um ponto de atenção para a economia.

Como o Dólar se Comportou Recentemente

O comportamento do dólar tem sido volátil. No acumulado da semana, a moeda registrou uma queda de 1,26%. Entretanto, no acumulado do mês, houve uma alta de 2,09%. Já no acumulado do ano, o dólar apresenta uma desvalorização de 4,51%. Estes números mostram a complexidade das variáveis que influenciam a cotação da moeda.

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, também reflete a instabilidade. Ele abriu a semana com expectativa sobre o cenário global. O índice acumulou uma alta de 3,03% na semana, mas registrou uma queda de 3,83% no mês. No acumulado do ano, o Ibovespa mostra uma valorização de 12,68%. Portanto, o cenário para os investimentos continua a exigir atenção e análise constante.