Reduzir dívidas é uma promessa que muitos encontram nas redes sociais. Vídeos e publicações sugerem caminhos fáceis para diminuir o que se deve ou até quitar valores altos. Alguns influenciadores falam em pedir documentos específicos, fazer reclamações em órgãos ou usar plataformas do governo para questionar cobranças. Mas especialistas avisam: esses atalhos simplificam demais um processo que, na prática, é bem mais complicado e tem regras claras.
A Lei do Superendividamento e como ela ajuda a reduzir dívidas
A Lei do Superendividamento (Lei nº 14.181/2021) é um dos recursos mais citados online. Esta lei ajuda quem não consegue pagar as contas sem prejudicar gastos essenciais do dia a dia. No entanto, ela tem seus limites. Gustavo Fonseca, advogado, explica que a lei não cancela dívidas de forma automática. Ela permite que a pessoa endividada proponha um plano de pagamento que preserve um mínimo para sua vida, organizando a quitação em até cinco anos.
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Quem pode usar a Lei do Superendividamento?
A lei não serve para todos. Ela exige uma prova de que a pessoa está em uma situação financeira muito difícil, um “colapso financeiro comprovado”, como diz Fonseca. Não basta estar com contas atrasadas ou achar que os juros são altos. Além disso, certos tipos de dívida não entram neste processo.
Dívidas com garantia, como financiamentos de casas ou carros, ficam de fora. Nesses casos, o bem pode ser tomado pelo banco em caso de inadimplência. Também não se aplicam créditos rurais nem débitos com o governo, como impostos e outras obrigações fiscais. Outro ponto importante: o consumidor precisa agir de boa-fé. A lei não vale para quem tenta fraudar o sistema ou faz dívidas já sabendo que não terá condições de pagá-las. O procedimento, muitas vezes, vai para a Justiça e exige muitos documentos para comprovar a renda, gastos e o total das dívidas.
Contestar juros abusivos para reduzir dívidas
Outra dica popular nas redes sociais é contestar juros que parecem abusivos. Alguns influenciadores sugerem que basta reclamar em órgãos públicos para conseguir uma redução dos valores cobrados pelos bancos. Mas os especialistas esclarecem que essas plataformas não têm o poder de mudar contratos. O Banco Central, por exemplo, atua na fiscalização do sistema financeiro, mas não altera acordos entre bancos e clientes. Para conseguir reduzir dívidas por juros abusivos, geralmente é preciso entrar com uma ação judicial e provar que os juros estão muito acima do que o mercado cobra, o que exige um processo técnico e provas concretas.
Cuidado com atalhos: busque ajuda profissional
Portanto, para quem busca reduzir dívidas, a cautela é fundamental. As promessas de soluções rápidas podem levar a frustrações e até piorar a situação financeira. O ideal é buscar orientação profissional, como advogados especializados em direito do consumidor ou consultores financeiros sérios. Estes profissionais podem analisar cada caso e oferecer caminhos legais e realistas para negociar e organizar as finanças. Não confie cegamente em atalhos digitais; a solução para o endividamento exige planejamento e conhecimento das leis.
