A expectativa por novos cortes de juros no Brasil enfrenta um desafio. O conflito no Oriente Médio, que envolve Estados Unidos, Israel e Irã, pode trazer mais inflação para o mundo. Isso faz com que o Banco Central tenha menos espaço para reduzir a taxa Selic aqui. Mesmo com a Selic em um patamar que permitia cortes, a alta dos preços de energia e a inflação global mudam o cenário. O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, alertou sobre essa situação. Ele explicou que o BC precisa manter a atenção para controlar os preços. O choque de preços é relevante e pode gerar efeitos em cascata na economia.
Conflito Pesa nos Cortes de Juros no Brasil
O diretor Nilton David afirmou que, há seis meses, a Selic tinha “mais gordura”. Em outras palavras, os juros estavam altos o suficiente para o Banco Central fazer alguns cortes sem perder o controle da inflação. Contudo, o cenário mudou. O conflito no Oriente Médio provoca um choque forte nos preços, principalmente de energia. Por isso, a chance de novos cortes de juros no Brasil diminui. O BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual em março, chegando a 14,75% ao ano. A instituição não deu pistas claras sobre os próximos passos. No entanto, defendeu que os juros devem ficar em um nível alto o bastante para conter a alta dos preços. Afinal, a guerra com o Irã aumenta as incertezas.
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Banco Central Foca na Meta de Inflação
Previsões de mercado para a inflação em 2027 e 2028 pioraram recentemente. David comentou que essa mudança nas expectativas mostra uma ideia errada. A percepção seria que o Banco Central não combateria novas altas de inflação. “Isso é um equívoco”, disse ele. O Banco Central vai buscar a meta de inflação. Portanto, o compromisso com a estabilidade de preços continua firme. Além disso, a autarquia não pode “baixar a guarda”, reforçou o diretor.
Dólar e a Volatilidade no Câmbio
O diretor também falou sobre o avanço do dólar frente ao real desde o início da guerra. Esse movimento de desvalorização do real, em sua avaliação, não foi tão diferente do que se viu em outros países. No entanto, o Brasil já enfrentou momentos de maior oscilação no câmbio. Por exemplo, na virada de 2024 para 2025, o dólar à vista chegou a passar de R$ 6,20. Naquele período, as expectativas do mercado para a inflação no Brasil pioraram. Além disso, a moeda americana se fortaleceu no exterior.
De acordo com David, o real geralmente acompanha os ciclos de alta e baixa das outras moedas no mundo. Contudo, muitas vezes, sua variação é mais intensa. Essa volatilidade dificulta o processo de trazer a inflação de volta para a meta. Assim, as ações do Banco Central no mercado buscam justamente não aumentar essa instabilidade. Ele enfatizou que a intervenção do BC visa suavizar movimentos bruscos, não fixar um valor específico. Portanto, a gestão do câmbio é mais uma ferramenta para a estabilidade econômica geral, impactando indiretamente os cortes de juros no Brasil.
