A montadora chinesa BYD, conhecida por seus carros elétricos, foi retirada da “lista suja” do trabalho análogo à escravidão no Brasil. A decisão judicial, divulgada nesta quinta-feira (9), é provisória e vale até o julgamento final do caso. Este fato acontece poucos dias depois que a empresa entrou para o cadastro atualizado pelo governo federal.
A “lista suja” é um registro público que reúne empregadores que submeteram trabalhadores a condições parecidas com a escravidão. O governo tinha incluído 169 novos nomes na atualização mais recente, elevando o total para 613 empresas e pessoas. Com a saída da BYD, esse número agora é de 612.
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Entenda a “Lista Suja” do Trabalho Escravo
A “lista suja” é um instrumento importante na luta contra o trabalho análogo à escravidão. O Ministério do Trabalho divulga este documento duas vezes por ano, em abril e outubro. Seu objetivo é dar visibilidade aos casos e aos infratores, tornando públicas as ações de combate. Para entrar na lista, o empregador precisa ter um processo administrativo concluído e sem possibilidade de recurso. Uma vez dentro, o nome permanece por dois anos. Para sair, é preciso não ter novos casos e regularizar completamente a situação.
A imprensa tentou contato com a BYD para entender a inclusão e a retirada da lista, porém, não houve resposta até a última atualização da reportagem.
O Caso da BYD e a Inclusão na Lista Suja
A BYD foi incluída no cadastro após o resgate de trabalhadores chineses em dezembro de 2024. Ao todo, 220 pessoas foram contratadas para trabalhar na construção da fábrica da empresa em Camaçari, na Bahia. As autoridades encontraram esses trabalhadores em alojamentos com condições precárias de conforto e higiene. Além disso, seguranças armados os vigiavam, impedindo-os de sair do local.
As investigações mostraram que os passaportes dos trabalhadores estavam retidos. Da mesma forma, os contratos continham cláusulas ilegais, como jornadas de trabalho muito longas e a falta de descanso semanal. Um dos trabalhadores relatou ao Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA) que um acidente com uma serra aconteceu por causa do cansaço extremo, resultado da falta de folgas.
O MPT-BA também apontou outras irregularidades. Todos os trabalhadores entraram no Brasil de maneira irregular, usando vistos para serviços especializados que não correspondiam às atividades que eles realmente faziam na obra. A BYD, por sua vez, informou que a construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda cometeu as irregularidades. Por isso, a montadora decidiu encerrar o contrato com a empresa. A BYD afirmou que não tolera desrespeito à lei brasileira nem à dignidade humana e, desse modo, transferiu parte dos trabalhadores para hotéis na região.
No final de 2025, o Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA) fechou um acordo. A BYD e duas empreiteiras pagaram R$ 40 milhões após uma ação civil pública por trabalho análogo à escravidão. Esta medida visa compensar os danos e evitar que situações semelhantes aconteçam novamente.
