A Americanas deu um passo importante esta semana. A empresa pediu oficialmente à Justiça para acabar com sua recuperação judicial. Isso acontece depois de a companhia cumprir as regras que combinou com seus credores. É o fim de uma fase difícil para a varejista.
O pedido foi feito nesta quarta-feira (25) e abrange todas as empresas do grupo que estavam nesse processo. A solicitação foi entregue na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Se a Justiça aprovar, será o encerramento formal de um período de grande dificuldade para a Americanas, marcado por uma fraude bilionária e dívidas que ultrapassaram os 50 bilhões de reais.
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O que significa o pedido da Americanas?
Quando uma empresa entra em recuperação judicial, ela busca uma forma de se reestruturar e pagar suas dívidas sob supervisão da Justiça. A Americanas fez isso em 2023, após a descoberta de um grande rombo contábil. Agora, ao pedir para sair, a empresa sinaliza que conseguiu cumprir o plano aprovado pelos credores. Esse plano estabeleceu como as dívidas seriam pagas e quais medidas a companhia tomaria para se reerguer.
A fase mais crítica da crise financeira que começou em 2023 parece estar superada. Contudo, a decisão final agora está nas mãos da Justiça. Ela vai analisar se todas as obrigações foram realmente cumpridas dentro do prazo de até dois anos após a aprovação do plano. A saída da Americanas recuperação judicial representa um novo capítulo para a empresa, que tenta retomar sua estabilidade no mercado.
A crise da Americanas: um breve histórico
A crise da Americanas começou a vir à tona em 11 de janeiro de 2023, quando a empresa revelou “inconsistências contábeis” em seus balanços. Inicialmente, o valor estimado para essas inconsistências era de cerca de 20 bilhões de reais. Logo após a notícia, Sergio Rial, que havia assumido a presidência da Americanas há poucos dias, deixou o cargo. Essa revelação causou um grande impacto no mercado financeiro. Investidores começaram a vender suas ações, o que derrubou o valor dos papéis da companhia em quase 80% em um único dia. A situação se agravou nos dias seguintes.
Rial explicou, em uma conferência, que o problema não era um número fora do balanço, mas sim que os valores não estavam registrados corretamente há anos. Diante da gravidade da situação, a Americanas pediu recuperação judicial em 19 de janeiro de 2023. Suas ações foram retiradas da B3. O plano de recuperação, que previa como a empresa sairia da crise, foi apresentado em março e aprovado em dezembro do mesmo ano. A dívida total no plano ultrapassava 50 bilhões de reais, sendo cerca de 42 bilhões sujeitos à renegociação com os credores.
O plano de recuperação e a venda de bens
Para se reerguer, a Americanas contou com um plano detalhado. Uma das medidas mais importantes foi o aporte de 12 bilhões de reais feito pelos acionistas de referência da companhia, entre eles o trio de bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. Esse dinheiro foi fundamental para o cumprimento das obrigações e para a reestruturação financeira.
Além disso, a empresa buscou outras formas de levantar recursos. Em um fato relevante, a Americanas informou a venda da Uni.Co, que é dona das marcas Imaginarium e Puket. A BandUP! comprou a Uni.Co por 152,9 milhões de reais, após um processo competitivo judicial. Essas vendas de ativos são comuns em processos de recuperação, pois ajudam a companhia a honrar seus compromissos e a se focar no negócio principal.
Próximos passos para a Americanas
Agora, o futuro da Americanas recuperação judicial depende da Justiça. O tribunal analisará o pedido de encerramento, verificando se a empresa realmente cumpriu todas as condições do plano aprovado. Se a decisão for favorável, a Americanas estará livre das amarras da recuperação judicial, podendo operar com mais autonomia e focar em seu crescimento. A expectativa é que a empresa possa, assim, virar essa página e reconstruir a confiança do mercado e de seus clientes. É um momento de cautela, mas também de esperança para a varejista.
