Marcos Sacramento traz de volta os afrosambas em um novo disco. O cantor está gravando no Rio de Janeiro um álbum que revisita o famoso trabalho de Baden Powell e Vinicius de Moraes. Este projeto, por sua vez, reúne grandes nomes da música brasileira, como Roberta Sá, Ney Matogrosso e Pedro Miranda, e promete emocionar fãs de um dos gêneros mais ricos da nossa cultura.
Sacramento dedicou o mês de março de 2026 a esse projeto. Ele se dividiu entre palcos, rodas de samba e o estúdio da Biscoito Fino. A jornada começou em 5 de março, com a estreia do show “Os afrosambas 60 anos”. Neste espetáculo, o cantor, ao lado do violonista Zé Paulo Becker, reacende o repertório do álbum “Os afro-sambas de Baden e Vinicius”, lançado em 1966. Dessa forma, a ideia de gravar um novo disco surgiu. De fato, o objetivo era eternizar essa celebração musical.
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A Redescoberta dos Afrosambas
O disco original, um marco na música brasileira, juntou oito afrosambas compostos entre 1962 e 1965. As melodias eram de Baden Powell, um violonista genial, e as letras de Vinicius de Moraes. No novo trabalho, Sacramento canta essas músicas com convidados de peso. Ney Matogrosso, Pedro Miranda e Roberta Sá emprestam suas vozes, por exemplo, a esse resgate. Além disso, assim como no show, o álbum vai além do repertório do LP de 1966. Ele inclui outros afrosambas importantes, como “Berimbau” e “Consolação”, ambos lançados em 1963, antes do disco original.
O Coração do Repertório e a Colaboração Vocal
O álbum de 1966 apresentou músicas icônicas. Entre elas, estão “Canto do caboclo Pedra Preta”, “Tempo de amor”, “Canto de Ossanha” – esta última ficou muito famosa pela gravação de Elis Regina no mesmo ano – e “Bocochê”. Outras faixas são “Canto de Xangô”, “Tristeza e solidão”, “Canto de Iemanjá” e “Lamento de Exu”. A voz da cantora Dulce Nunes, na faixa “Canto de Iemanjá”, simboliza o canto da orixá, a rainha das águas. Em suma, estas são as pérolas dos afrosambas originais.
A Essência dos Arranjos de Guerra-Peixe
Os arranjos e a regência do álbum original foram trabalho do maestro César Guerra-Peixe. Ele criou os arranjos com foco em instrumentos de percussão, comuns em terreiros de Candomblé. Agogô, afoxé, atabaque e bongô, por exemplo, marcam presença. Isso acontece porque os ritmos e harmonias das religiões de matriz africana inspiraram Baden e Vinicius na criação dos afrosambas. Além da percussão, os arranjos também contam com sopros e o violão, instrumento que consagrou Baden como um dos grandes músicos do Brasil. Assim, a sonoridade é rica e autêntica.
O produtor musical Roberto Quartin orquestrou o álbum “Os afro-sambas de Baden e Vinicius”. Ele contou com a colaboração de Wadi Gebara. Quartin e Gebara eram sócios na gravadora Forma, a responsável por lançar o disco. Agora, Marcos Sacramento dá nova vida a essas obras dos afrosambas, mantendo a essência e adicionando sua própria interpretação. Portanto, este novo álbum é uma ponte entre gerações, celebrando um patrimônio musical. Desse modo, a tradição se renova.
