João Fênix lança seu novo álbum, intitulado ‘Mapa de tempo ao vivo’, nesta sexta-feira, 17 de abril. O trabalho apresenta oito músicas, todas gravadas em um show na casa Manouche, no Rio de Janeiro, com a participação do violonista Jaime Alem. Este disco ao vivo destaca a performance marcante do cantor e sua conexão com a música brasileira, oferecendo uma nova perspectiva de sua arte.
A Voz Única de João Fênix ao Vivo
A inclusão da canção “Todo homem”, de Zeca Veloso, no repertório do novo álbum de João Fênix ao vivo é bastante significativa. Com sua voz de contratenor, o artista pernambucano já explorava registros vocais graves e agudos com naturalidade muito antes de essa tendência se popularizar entre cantores surgidos a partir dos anos 2010. Ele transita entre esses timbres sem esforço, como demonstram artistas como Tim Bernardes e o próprio Zeca Veloso. Curiosamente, Fênix utiliza os graves ao interpretar a música de Zeca, mostrando sua versatilidade.
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Sua voz andrógina o conecta a uma linhagem de grandes nomes da música. Por exemplo, ele segue os passos do desbravador Ney Matogrosso e de Edson Cordeiro, que se destacou nos anos 1990. Não por acaso, Ney Matogrosso participa do álbum “Mapa de tempo ao vivo”. Eles recriam o dueto de “Nada mais (Lately)”, uma versão em português de Stevie Wonder, que já havia sido gravada para um dos singles de Fênix. Essa parceria reforça a relevância do trabalho de João Fênix ao vivo.
Repertório e Colaborações no Novo Projeto
O álbum “Mapa de tempo ao vivo” é uma coletânea de performances que surgiram do show captado no Manouche. Contudo, o repertório é, em grande parte, novo, com exceção da música cantada com Ney Matogrosso. “Pai Grande”, de Milton Nascimento, abre o disco, e sua melodia ecoa uma espiritualidade que se faz cada vez mais presente nas escolhas artísticas de Fênix. Além disso, o violão de Jaime Alem serve como um porto seguro para o cantor, que trabalha com o violonista há muitos anos.
Juntos, João Fênix e Jaime Alem exploram os diferentes timbres da voz de Fênix. Nem sempre o resultado agrada a todos, porém. Por exemplo, em “Jeito de mato”, de Paula Fernandes e Maurício Santini, a voz pode soar um pouco estridente. Isso pode diluir a serenidade que o tema interiorano propõe, um ambiente em que Jaime Alem, um violeiro habilidoso, se sente à vontade. Em “Canta coração”, de Geraldo Azevedo, o timbre agudo de Fênix remete, em algumas passagens, à gravação original de Elba Ramalho.
Ainda assim, a interpretação de “Ando de bando”, de Ivor Lancellotti e Álvaro Lancellotti, se eleva no álbum. O violão de Alem evoca um universo cigano, entre outras referências que a letra da música traz. Essa canção já havia sido apresentada na voz de João Fênix em seu aclamado álbum “Minha boca não tem nome” (2018), um trabalho que marcou afirmação e resistência em sua carreira. Portanto, o novo álbum João Fênix ao vivo é um registro importante para seus fãs.
