O álbum “Feixe de fogo”, de Buhr, chegou ao público e marca uma fase de mudança para a artista. Este disco é o primeiro em que ela usa apenas Buhr, sem o prenome Karina, mostrando uma nova identidade não-binária. Com um som que pulsa a vida das cidades e letras profundas, o trabalho foi feito ao longo de dois anos em vários estúdios. Assim, ele oferece uma experiência musical rica e cheia de camadas.
Feixe de fogo: A Nova Identidade de Buhr
Buhr lança seu sétimo álbum solo de estúdio, “Feixe de fogo”, consolidando sua presença na música brasileira. Este trabalho é um marco, pois representa a primeira vez que a artista assina um disco sem o prenome Karina. Essa mudança reflete sua nova identidade como pessoa não-binária, um passo importante e visível em sua carreira. O álbum foi gravado em um processo extenso, que durou dois anos, passando por dez estúdios em diferentes cidades, como Recife, São Paulo, Salvador, Fortaleza e Sobral. Rami Freitas, multi-instrumentista, colaborou com Buhr na produção musical do projeto. Lançado pelo selo paulistano Sound Department, “Feixe de fogo” mantém a energia forte e a assinatura única que Buhr já mostrava em discos anteriores, como “Selvática” (2015) e “Desmanche” (2019).
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Sons e Versos que Respeitam a Cidade
O cancioneiro de “Feixe de fogo” é urbano e mergulha em questões existenciais de Buhr, uma artista que se movimenta na complexidade das cidades. Por exemplo, na faixa “Voaria”, ela canta: “Busco motivos nas ruas entupidas de carro / Esvaziadas de gente / Como quem procura raízes”. Os metais, arranjados pelo maestro Ubiratan Marques, pontuam essa canção com um sopro marcante. Além disso, as guitarras incandescentes de Arto Lindsay, Fernando Catatau e Rami Freitas criam o clima vibrante da faixa-título, que abre o disco. A música “Feixe de fogo” já mostra o tom do álbum, com versos como: “Eu corro em cima da brasa acesa / No medo onde ninguém mergulha”, situando a artista em um lugar de coragem e exploração.
Colaborações e a Essência de Feixe de fogo
A diversidade musical é um ponto forte no álbum “Feixe de fogo”. Embora “Vale brinde” traga uma suavidade com a ambiência sonora crua de Briar Aguarrás (baixo, synth, violão e guitarra) e Rami Freitas (bateria, synth e guitarra), a energia roqueira aparece forte em “Anzol”. Nesta faixa, Buhr expressa sua poética altiva com versos como: “Não me diga o que fazer com meu espaço / Ele se cria pela minha mão”. Contudo, o disco vai além de rótulos, misturando gêneros. A homogeneidade reside na força dos timbres, da poesia e do canto de Buhr. Isso conecta faixas como “70 cigarros”, um DR gravado com a cantora trans Moon Kenzo, e o xote “Oxê”. Esta última evoca as raízes de Buhr nos grupos de maracatu Estrela Brilhante e Piaba de Ouro, onde começou como percussionista. A artista, inclusive, toca triângulo em “Oxê”, reforçando essa ligação com o passado e com o ritmo que ainda hoje a guia em suas composições.
Em suma, “Feixe de fogo” é um álbum que reflete a jornada de Buhr, mesclando identidade pessoal, sonoridades urbanas e raízes culturais. É um trabalho que convida o ouvinte a explorar a complexidade da artista e do mundo ao seu redor.
