Álbum de Aracy de Almeida, lançado há 60 anos com dez sambas, volta em LP

O álbum "Samba é Aracy de Almeida" de Aracy de Almeida, lançado em 1966, ganha reedição em LP 60 anos depois, celebrando o legado da cantora.

O álbum Aracy de Almeida, intitulado “Samba é Aracy de Almeida” e lançado em 1966, agora está de volta. Sessenta anos depois, o disco ganha uma reedição em LP, trazendo de novo o trabalho desta grande voz do samba para o público. Este relançamento permite que novas gerações conheçam e que fãs antigos revivam a arte da cantora, reforçando seu legado na música nacional.

Em 1966, Aracy de Almeida vivia um momento específico em sua carreira. A música popular brasileira crescia, por exemplo, com o surgimento da MPB e a era dos festivais. No entanto, ela ainda não era a figura folclórica dos programas de auditório, como o “Programa Silvio Santos”, que viria a ser dois anos depois, famosa por suas opiniões diretas. Além disso, a cantora também não estava no auge de sua trajetória musical, que começou em 1934. Contudo, para muitos críticos e amantes da música, ela seguia sendo a voz perfeita para o samba, especialmente para as composições de Noel Rosa.

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Aloysio de Oliveira, produtor musical e cantor importante da época, via Aracy como “o samba em pessoa”, uma visão que se refletia em seu trabalho. Por isso, ele a levou para a gravadora Elenco nos anos 1960. Lá, Aracy gravou dois discos em 1966. Um deles é justamente “Samba é Aracy de Almeida”, que agora retorna em vinil transparente translúcido pela Universal Music. Este relançamento celebra a obra da artista e permite que sua música alcance novos ouvintes.

O Que o Álbum Aracy de Almeida Traz de Novo?

Este álbum Aracy de Almeida foi o penúltimo trabalho da cantora em estúdio, antes de seu derradeiro disco em 1988. Ele apresenta um repertório com dez sambas. Dois deles, de Assis Valente, “Cansado de sambar” e “Mangueira” (parceria com Zequinha Reis), eram inéditos na voz de Aracy, embora o Bando da Lua já os tivesse gravado em 1935. Além disso, “Batucada surgiu” (1965), de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, também era uma novidade para Aracy, pois Wilson Simonal havia gravado a canção no ano anterior, com grande sucesso.

No disco, Aracy também regravou sambas que ela mesma já havia lançado antes, mostrando sua versatilidade e a atemporalidade de sua interpretação. Entre eles estão “Três apitos” (Noel Rosa, de 1933, gravada por ela em 1951) e “Triste cuíca” (Noel Rosa e Hervê Cordovil, de 1935). “Tenha pena de mim” (Hervê Cordovil, 1951) e “Sabotagem no morro” (Wilson Baptista e Haroldo Lobo, 1945) completam a lista de clássicos que a cantora trouxe de volta com sua interpretação única e emocionante.

Músicos de Destaque no Álbum Aracy de Almeida

A qualidade do álbum Aracy de Almeida também vem do time de músicos que a acompanhou. Roberto Menescal tocou violão, e Ugo Marotta cuidou do piano e órgão. Estes dois, aliás, também foram responsáveis pela criação dos arranjos das músicas, adicionando uma camada extra de sofisticação. A banda ainda contava com Alpheo Barroso Neto na bateria, Sergio Barroso no contrabaixo, Marçal na percussão, Copinha na flauta e Laerte Gomes de Alcântara no sax alto e clarinete. Juntos, eles criaram a sonoridade rica e marcante que caracterizou este importante trabalho, elevando a experiência auditiva.

O relançamento de “Samba é Aracy de Almeida” é, portanto, uma chance de revisitar um pedaço importante da história da música brasileira. A voz de Aracy continua relevante e potente, e o formato em LP resgata a experiência original de ouvir este disco. Dessa forma, para quem ama samba e a história da MPB, esta é uma ótima oportunidade de se conectar com a obra de uma das maiores intérpretes do gênero.