O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou explicações. O assunto são os repasses de dinheiro público, conhecidos como emendas PIX. Estes valores foram direcionados a uma fundação ligada à Igreja Batista da Lagoinha. O tribunal busca mais clareza sobre a origem e o destino desses recursos. Esta ação visa garantir que as normas de transparência sejam cumpridas em relação aos fundos parlamentares.
Em 19 de março, o ministro havia determinado que o senador Carlos Viana (Podemos-MG) e o Senado Federal dessem detalhes. A solicitação surgiu após os deputados Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) levarem o caso ao Supremo. Eles apontaram possíveis falhas na destinação de R$ 3,6 milhões para a Fundação Oasis, braço social da Igreja Batista da Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão. Flávio Dino, portanto, estabeleceu um prazo de cinco dias úteis para as manifestações.
Leia também
Entenda o Questionamento sobre as Emendas PIX
Os parlamentares que acionaram o STF levantaram dúvidas sobre a regularidade dos repasses. Eles questionam se a destinação das emendas PIX para a Fundação Oasis seguiu as regras. O senador Carlos Viana presidiu a CMPI do INSS no período dos repasses. A ação sugere que a finalidade dos fundos pode ter sido desviada. Em outras palavras, o dinheiro talvez não tenha servido ao interesse público. Pelo contrário, pode ter fortalecido laços políticos e financeiros entre o parlamentar e as entidades. Portanto, a investigação busca esclarecer estas possíveis irregularidades.
Valores das Emendas PIX em Detalhe
Os valores sob investigação somam R$ 3,6 milhões. Veja a distribuição:
- R$ 1,5 milhão (2019): Repasse para a Prefeitura de Belo Horizonte. O destino final carimbado era a Fundação Oasis.
- R$ 1,47 milhão (2023): Transferência direta para a Fundação Oasis de Capim Branco, na região metropolitana de Belo Horizonte.
- R$ 650,9 mil (2025): Um novo repasse previsto para a filial de Capim Branco.
Segundo os deputados, estes repasses podem violar diretrizes do STF. A corte fixou regras para aumentar a transparência e a capacidade de rastrear valores indicados por deputados e senadores. Assim, busca-se garantir a correta aplicação do dinheiro público.
Transparência e Rastreabilidade das Emendas PIX
O ministro Flávio Dino destacou a necessidade de assegurar o cumprimento de uma decisão do STF de dezembro de 2022. Esta decisão estabeleceu balizas claras sobre a transparência e a rastreabilidade de recursos públicos vindos de emendas parlamentares. Dessa forma, é fundamental que os fatos apontados pelos parlamentares sejam esclarecidos. O ofício enviado ao senador Carlos Viana e a intimação ao Senado Federal buscam exatamente isso.
A Fundação Oásis, por sua vez, emitiu uma nota. Nela, a fundação afirmou que suas informações financeiras, contábeis e operacionais são públicas. Além disso, a entidade declarou que passa por auditorias regulares. Contudo, o STF ainda aguarda os esclarecimentos formais sobre a destinação específica das emendas PIX.
Conexões e Outros Casos Envolvendo a Lagoinha
A Igreja Batista da Lagoinha também aparece em outro contexto delicado: o Caso Master. Esta ligação se dá por meio de seu ex-pastor, Fabiano Zettel. Ele tem um vínculo com o empresário Daniel Vorcaro, dono de um banco que está sob investigação por suspeitas de fraudes financeiras. A Polícia Federal aponta Zettel, que é cunhado de Vorcaro, como um operador financeiro e figura central no esquema. Portanto, a menção da igreja neste caso adiciona uma camada de complexidade à situação.
Recentemente, a Igreja Lagoinha Belvedere, também ligada a Fabiano Zettel, encerrou suas atividades em Belo Horizonte. Este desdobramento mostra a amplitude das investigações e suas consequências. Diante de tudo isso, o STF busca respostas completas para garantir a integridade no uso dos recursos públicos.
