El Salvador Endurece Leis e Aprova Prisão Perpétua para Menores

El Salvador aprovou a prisão perpétua para menores de idade que cometerem crimes graves, como assassinato, estupro e terrorismo. A medida faz parte de um plano do presidente Nayib Bukele para combater a criminalidade no país.

El Salvador agora permite a prisão perpétua para menores de idade que cometerem crimes sérios. A Assembleia Legislativa do país aprovou recentemente mudanças nas leis que preveem esta medida para jovens acusados de assassinato, estupro e terrorismo. A decisão faz parte de um plano do presidente Nayib Bukele para endurecer a legislação contra o crime, buscando combater a criminalidade de forma mais rigorosa.

Entenda a Nova Lei de Prisão Perpétua para Menores

A reforma do Código Penal Juvenil, proposta pelo presidente Nayib Bukele, inclui a prisão perpétua para menores como uma das punições possíveis. O texto aprovado pelos legisladores deixa claro que esta pena entra em um “catálogo excepcional” para jovens que entram em conflito com a lei. De acordo com o Artigo 8 da nova legislação, um menor que cometer um ato criminoso ou contravenção, conforme as leis penais, pode ser submetido à prisão perpétua. As novas regras também eliminam o procedimento especial que antes existia para menores em casos de crimes graves.

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Mesmo com a inclusão da pena máxima, a lei prevê “revisões periódicas” das sentenças de prisão perpétua. O objetivo dessas revisões é avaliar o nível de reabilitação do jovem e o risco que ele representa, para então considerar a possibilidade de liberdade condicional. Além disso, a legislação busca manter a compatibilidade com os padrões constitucionais e internacionais que tratam dos direitos da criança. Para isso, ela garante uma “avaliação periódica” obrigatória da pena, seguindo as disposições do Código Penal. Dessa forma, o país tenta equilibrar a rigidez da pena com a necessidade de respeitar os direitos fundamentais.

Contexto da Aprovação e Repercussões

A aprovação da prisão perpétua para menores ocorreu em 17 de março, após uma sugestão direta do presidente Bukele. Essa medida surge em um momento em que organizações de direitos humanos acusam o governo salvadorenho de cometer crimes contra a humanidade na sua luta contra as “pandillas”, as gangues criminosas que atuam no país. A ratificação final da reforma constitucional se deu nesta quinta-feira, com o apoio de 58 dos 60 membros do Congresso unicameral. O partido governista Novas Ideias (NI) domina a assembleia, o que facilitou a rápida aprovação da proposta. O texto aprovado especifica que a prisão perpétua será aplicada apenas a assassinos, estupradores e terroristas, estes últimos geralmente associados a membros de gangues.

A votação aconteceu apenas uma semana depois de outra iniciativa importante ser aprovada. Esta iniciativa, amparada por uma emenda constitucional, permite alterações rápidas na Constituição em uma única sessão legislativa. Portanto, o governo conseguiu acelerar o processo legislativo para implementar suas propostas. A nova lei entrará em vigor oito dias após sua publicação no Diário Oficial. O presidente da Assembleia, Ernesto Castro, expressou satisfação com a decisão. Ele afirmou que a medida oferece “tranquilidade” às famílias salvadorenhas, pois esses criminosos “jamais verão a luz do dia novamente”.

Contudo, nem todos concordam com a rigidez das novas leis. O deputado Francisco Lira, do partido de direita Aliança Republicana Nacionalista (Arena), demonstrou preocupação. Ele destacou que milhares de salvadorenhos que não têm ligação com gangues ainda esperam por um julgamento justo. Lira lamentou que “pessoas de bem estejam pagando por algo que não fizeram”, o que levanta questionamentos sobre a aplicação da justiça e os direitos dos cidadãos no país. Esse debate mostra a complexidade da situação em El Salvador, onde a busca por segurança se choca com preocupações sobre os direitos individuais e a justiça.