Após a notícia de que uma pesquisadora teria furtado material biológico da Unicamp, muitos se questionam: por que vírus em laboratórios, alguns deles muito perigosos, são mantidos e estudados? A resposta está na busca por conhecimento e na proteção da saúde pública. Cientistas guardam esses microrganismos vivos. O objetivo é entender como eles funcionam e como causam doenças. Principalmente, querem criar defesas contra eles, como vacinas e medicamentos.
Manter esses agentes biológicos sob controle permite avanços cruciais na medicina. Portanto, sem esse trabalho em ambiente seguro, seria impossível desenvolver as ferramentas que hoje salvam milhões de vidas. A pesquisa com vírus em laboratórios é um pilar essencial para a ciência.
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Por Que Cientistas Armazenam Vírus em Laboratórios?
As universidades e centros de pesquisa guardam vírus, bactérias e fungos vivos por várias razões importantes. O objetivo principal é estudar esses agentes de perto. Por exemplo, os pesquisadores expandem o material viral e o multiplicam. Isso ajuda a entender a estrutura do vírus e como ele ataca o corpo, causando a doença.
Este conhecimento é fundamental. Com ele, é possível desenvolver vacinas eficazes e medicamentos antivirais. Paulo Sanches, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp e coordenador do Laboratório de Virologia, explica que os benefícios superam os riscos. Em 2015, durante a epidemia de zika, os cientistas isolaram o vírus. Em seguida, eles o multiplicaram em laboratório e o estudaram em minicérebros. Essa pesquisa ajudou a entender como o zika se espalhava e causava problemas.
Níveis de Biossegurança Controlam Vírus em Laboratórios
A segurança é a prioridade máxima quando se lida com vírus em laboratórios. Os laboratórios seguem níveis de biossegurança (NB) que vão de 1 a 4. Cada nível indica o grau de contenção necessário. Ele protege cientistas, animais, o meio ambiente e a população. Assim, evita-se qualquer risco de contaminação.
Laboratórios com altos níveis de biossegurança têm controles rigorosos. O acesso, por exemplo, pode ser feito por digitais ou reconhecimento facial. Essa medida garante que apenas pessoas autorizadas entrem nas áreas de maior risco. Os critérios para definir o nível de biossegurança incluem:
- Potencial de Doença e Contágio: Agentes biológicos com alta capacidade de causar doenças graves ou morte exigem níveis mais altos. Um vírus que se espalha facilmente pelo ar, por exemplo, necessita de contenção superior.
- Disponibilidade de Tratamentos: Se não existem vacinas ou medicamentos para a doença causada pelo agente, os cuidados para evitar a contaminação são ainda mais rígidos.
- Tipo de Trabalho Realizado: A quantidade de material biológico e o tipo de experimento também influenciam. Estudar a estrutura de um vírus, por exemplo, geralmente requer uma amostra maior do que apenas analisar uma pequena parte.
Contenção de Agentes Resistentes
Edison Luiz Durigon, professor titular de virologia na USP, exemplifica a importância desses cuidados. As micobactérias da tuberculose que eles cultivam em laboratório são multirresistentes a medicamentos. Ele ressalta que um pesquisador não pode se contaminar, pois não há tratamento eficaz. Por isso, esses agentes exigem um nível de cuidado extremo.
O transporte de vírus de um local para outro também segue regras estritas. Apenas com autorização e em condições seguras é possível mover esses materiais. A pesquisa com vírus em laboratórios é um trabalho delicado, mas essencial para a saúde global.
Em resumo, o armazenamento de microrganismos perigosos em universidades não é um risco sem propósito. É uma prática controlada e vital para o avanço da ciência. Ela permite que os pesquisadores desenvolvam novas formas de combater doenças, protegendo a todos.
