MP notifica cidades por falta de leitos psiquiátricos

O Ministério Público de São Paulo notificou 12 prefeituras nas regiões de Itapetininga e Sorocaba pela ausência de leitos psiquiátricos em hospitais gerais, descumprindo um acordo de 2015 e sobrecarregando o sistema de saúde mental.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) notificou doze prefeituras nas regiões de Itapetininga e Sorocaba. O motivo é a falta de criação de leitos psiquiátricos em hospitais gerais. Essas cidades tinham se comprometido, em 2015, a instalar esses leitos. Contudo, mais de uma década depois, a promessa não foi cumprida. A ausência desses locais de internação atrapalha o atendimento de saúde mental na região, sobrecarregando o Conjunto Hospitalar de Sorocaba.

A lei da reforma psiquiátrica, que visa proteger pessoas com transtornos mentais, completará 25 anos em 2026. Ela buscou humanizar o tratamento e acabar com o isolamento em hospitais psiquiátricos. O objetivo principal era oferecer atendimento em uma rede integrada, com outras terapias disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em outras palavras, a internação deveria ser o último recurso, usada apenas quando outras abordagens não funcionassem mais para o paciente.

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O Compromisso Ignorado sobre Leitos Psiquiátricos

Desde 2015, os municípios da região de Sorocaba (SP) firmaram um acordo com o MP-SP. Eles prometeram implementar os leitos psiquiátricos para completar a rede de atendimento em saúde mental. No entanto, muitas cidades ainda não cumpriram com essa obrigação. Além disso, em 2002, o Ministério da Saúde determinou a criação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em todo o país. No estado de São Paulo, a partir de 2005, hospitais públicos deveriam implantar leitos para psiquiatria em até três anos.

A falta desses leitos no interior de São Paulo gera uma grande sobrecarga no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS). Conforme o MP-SP, a região perde 53 vagas de internação. Assim, pacientes que precisam de um atendimento mais complexo muitas vezes recebem apenas medicação e alta médica, sem o suporte necessário. As cidades que ainda não cumpriram a lei são:

  • Boituva
  • Guapiara
  • Itaberá
  • Itapetininga
  • Itararé
  • Itu
  • Piedade
  • Pilar do Sul
  • Porto Feliz
  • Salto
  • São Roque
  • Tietê

Esclarecimentos e Prazos

O promotor Thiago Henrique Bernini Ramos, do Ministério Público, esclarece alguns pontos de desinformação. Em reuniões com as prefeituras, ele notou que há uma resistência de alguns hospitais. Por exemplo, existe uma crença equivocada de que pacientes psiquiátricos são sempre complicados. Outro engano comum é achar que seria preciso contratar psiquiatras adicionais. Contudo, o promotor explica que o atendimento pode ser feito com o psiquiatra já disponível no CAPS.

Ainda mais, o promotor reforça que um leito de saúde mental não é exclusivo. Se ele estiver vazio, pode ser usado por pacientes de outras especialidades. As prefeituras receberam um prazo de 60 dias para apresentar um plano de trabalho. A meta é que tudo esteja funcionando até o final do ano. Caso contrário, as cidades podem enfrentar multas e ações judiciais. A criação desses leitos psiquiátricos é crucial para garantir um tratamento adequado e humanizado.

Impacto da Ausência de Leitos Psiquiátricos

Estar longe do atendimento adequado acarreta riscos sérios para a saúde mental dos indivíduos. Por conseguinte, a ausência de uma rede de suporte completa impede que pacientes em crise recebam a atenção que necessitam. Desse modo, a integração de leitos psiquiátricos em hospitais gerais é um passo fundamental para fortalecer o cuidado e o respeito às pessoas com transtornos mentais, promovendo uma recuperação mais eficaz e digna.