Fraude no ICMS: Executiva do Carrefour é alvo de investigação do MP

Uma executiva do Carrefour é investigada por fraude no ICMS em uma operação do Ministério Público de São Paulo. Entenda o esquema bilionário.

Fraude no ICMS: Executiva do Carrefour sob Investigação

Uma executiva do Carrefour está sob investigação do Ministério Público de São Paulo. Ela é alvo de uma operação que apura uma grande fraude no ICMS e desvios dentro da Secretaria da Fazenda do estado. A Operação Fisco Paralelo, iniciada nesta quinta-feira (26), busca entender um esquema bilionário.

Luciene Petroni Castro Neves, que cuidava da gestão fiscal e do planejamento tributário da rede de supermercados, é a pessoa investigada. As autoridades suspeitam que ela recebia tratamento especial e pagava propina a servidores públicos para conseguir vantagens. Mensagens de WhatsApp, acessadas pela TV Globo, mostram a executiva conversando com Artur Gomes da Silva, um auditor fiscal preso há sete meses e apontado como o principal articulador da fraude. Ele ajudava Luciene nos pedidos de ressarcimento do ICMS-ST (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – Substituição Tributária) do Carrefour. A investigação indica que a rede de supermercados tinha um tratamento privilegiado.

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Como Funcionava a Fraude no ICMS?

As investigações da Operação Fisco Paralelo revelam um método complexo de desvio. O esquema beneficiava empresas que tinham direito a receber créditos de ICMS. Estes são valores de impostos que o governo pode devolver, mas o processo normal é rigoroso e demorado. Fiscais da Receita Estadual se juntaram a um grupo para criar um “atalho” ilegal. Eles furavam a fila e agilizavam a liberação desses recursos, que chegavam a milhões de reais.

Este grupo era responsável por preparar a documentação necessária. Eles usavam senhas de servidores públicos para aprovar pagamentos de altos valores. Em troca dessa facilidade, as empresas beneficiadas pagavam propina. Essa propina era calculada como uma espécie de comissão sobre o dinheiro liberado. Portanto, o esquema garantia um fluxo rápido de dinheiro para as empresas e lucros ilegais para os envolvidos na Sefaz-SP.

A Reação do Carrefour e as Medidas Tomadas

Diante da gravidade das acusações, o Grupo Carrefour Brasil se manifestou. Em nota, a empresa informou que abriu uma investigação interna imediatamente. O objetivo é apurar todos os fatos relatados pelo Ministério Público. Além disso, o Carrefour declarou que está à disposição do MP e da polícia para ajudar nas investigações. A empresa reforçou seu compromisso com a integridade e governança. Eles afirmam não tolerar condutas que vão contra seus valores e que mantêm políticas de compliance robustas.

A Operação Fisco Paralelo não focou apenas na executiva. No total, a ação desta quinta-feira cumpriu 22 mandados de busca e apreensão. As autoridades buscam mais provas e envolvidos no esquema. Este tipo de fraude, portanto, tem um impacto significativo nos cofres públicos e na confiança das instituições. A apuração continua para desvendar todos os detalhes e punir os responsáveis pela fraude no ICMS.