A Justiça da Itália decidiu extraditar a ex-deputada Carla Zambelli, do PL de São Paulo. A defesa dela, contudo, já avisou que vai recorrer. Assim, o caso não está fechado. Ele deve seguir para novas etapas nos tribunais italianos. A cidadania italiana de Zambelli complica o processo. Tudo isso começou depois de ela ser condenada no Brasil.
O que significa o recurso na extradição de Carla Zambelli?
A decisão da Justiça italiana, anunciada na quinta-feira (26), pegou muitos de surpresa. Contudo, o caminho para a extradição de Carla Zambelli ainda é longo. Os advogados que a representam na Itália confirmaram à TV Globo que vão apresentar um recurso. Esse passo leva o processo para a Corte Suprema de Apelações. Este é um tribunal superior. Portanto, a palavra final sobre a volta de Zambelli ao Brasil não será dada imediatamente.
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Depois que a Corte Suprema de Apelações analisar o caso, a decisão ainda precisará passar pelo Ministério da Justiça italiano. O ministro Carlo Nordio terá a última palavra. Ele decide sobre a liberação formal da extradição. Apenas após essa etapa, as autoridades da Itália vão avisar o governo brasileiro. Então, o Brasil tomará as providências para a extradição.
A primeira condenação: invasão ao CNJ
Carla Zambelli deixou o Brasil em maio do ano passado. Naquela época, o Supremo Tribunal Federal (STF) já a havia condenado a dez anos de prisão. A condenação foi por ela ter invadido sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A unanimidade dos ministros do STF votou pela condenação em maio de 2025.
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, propôs as punições. Carla Zambelli recebeu dez anos de prisão, para começar em regime fechado. Ela também perdeu o mandato de deputada e ficou inelegível. Walter Delgatti, o hacker envolvido, foi condenado a oito anos e três meses de prisão. Além disso, os dois precisam pagar uma indenização de dois milhões de reais por danos morais e coletivos.
A acusação da PGR e a pena de Carla Zambelli
A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusou Zambelli e Delgatti de organizar ataques aos sistemas do CNJ. O objetivo, segundo a PGR, era descreditar a Justiça e incentivar ações contra a democracia. A denúncia detalha que Zambelli teria pedido a Delgatti para invadir o sistema e colocar documentos falsos. Entre eles, estava um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes. A intenção, conforme a acusação, era “colocar em dúvida a legitimidade da Justiça” e impulsionar protestos contra as instituições do país.
Outra condenação de Carla Zambelli e o futuro do processo
Enquanto já estava na Itália, Carla Zambelli enfrentou outra condenação do STF. Desta vez, o caso envolveu a perseguição armada a um homem em São Paulo, ocorrida em 2022. Por esse episódio, ela foi condenada a cinco anos e três meses de prisão. Os crimes foram porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com uso de arma. Dessa forma, a ex-deputada acumula duas condenações significativas que motivaram o pedido de extradição.
O processo de extradição de Carla Zambelli é complexo, pois envolve questões de soberania e leis internacionais. A defesa dela busca todas as vias legais para evitar seu retorno ao Brasil. O desenrolar do caso na Corte Suprema de Apelações e a decisão final do Ministro da Justiça italiano serão cruciais para definir o futuro da ex-deputada.
