Afro-sambas: Aline Paes e Pedro Franco celebram clássico

Aline Paes e Pedro Franco revisitaram o clássico álbum 'Os afro-sambas de Baden e Vinicius' em um show no Rio de Janeiro, trazendo nova vida a um repertório fundamental da música brasileira.

Para quem busca uma experiência musical que valoriza a história e a arte, o show de Aline Paes e Pedro Franco oferece uma imersão nos afro-sambas. A dupla apresentou no Acaso Cultural, Rio de Janeiro, uma homenagem aos 60 anos do álbum “Os afro-sambas de Baden e Vinicius”, lançado em 1966. Este trabalho é um marco na música brasileira. A apresentação da noite mostrou como a obra continua relevante.

Um dos momentos marcantes da noite foi quando Aline Paes se destacou sozinha no palco. Ela usou um pedal, criando uma base rítmica eletrônica. Sobre essa batida, Aline cantou “Lamento de Exu” com sua voz potente. Esta canção é uma das oito músicas autorais do disco original, feito por Baden Powell e Vinicius de Moraes. O maestro César Guerra-Peixe fez os arranjos e a regência da versão de 1966. Naquele instante, Aline mostrou sua afinação, ritmo preciso e segurança. Ela é uma cantora carioca. Atua no cenário musical desde 2009. Busca espaço fora do que domina as paradas.

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A Releitura dos Afro-sambas no Palco

Aline Paes e Pedro Franco trabalham juntos desde 2019. Pedro, um músico de Porto Alegre que mora no Rio de Janeiro, começou a tocar cavaquinho aos sete anos. Aos treze, passou para o bandolim e, aos dezesseis, escolheu o violão como seu principal instrumento. Ele já tocou com grandes nomes. Entre eles, Maria Bethânia, Soraya Ravenle e Zélia Duncan. O violão de Pedro tem um jeito percussivo. Isso ficou evidente durante o show. A apresentação no Acaso Cultural foi a segunda da dupla, que estreou o espetáculo no Blue Note Rio.

O show cativou o público desde o início. A primeira música foi “Canto de Iemanjá”. Aline imitou nos vocais o canto da orixá, assim como a cantora Dulce Nunes fez no disco original. Em seguida, a dupla explorou “Bocochê”. Eles não se preocuparam em copiar as gravações originais. Pelo contrário, com seriedade e muito respeito pelo repertório, Aline e Pedro brincaram com os ritmos. As músicas têm forte influência da cultura afro-brasileira, inspiradas em batuques e harmonias de religiões de matriz africana.

A Força dos Afro-sambas e a Conexão com as Raízes

O repertório dos afro-sambas é denso e cheio de significado. Ele explora a riqueza cultural e espiritual do Brasil. A interpretação de Aline e Pedro honra essa profundidade, sem perder a originalidade. Eles conseguem trazer uma nova vida para essas canções, mostrando que a música pode ser ao mesmo tempo clássica e contemporânea. Portanto, o show é mais do que uma simples homenagem; é uma ponte entre gerações, mantendo viva a chama de um dos maiores tesouros da nossa música.

Além disso, a forma como os artistas se conectam com o público e com a essência das músicas é notável. Eles não apenas tocam; eles sentem e transmitem a emoção por trás de cada nota e cada palavra. Contudo, houve apenas um pequeno detalhe: uma ligeira falta de organicidade nas falas entre as músicas. Mesmo assim, isso não diminuiu o brilho da apresentação, que recebeu uma cotação de quatro estrelas e meia. O evento reforça a importância de revisitar e celebrar obras que moldaram a identidade musical do país.