O apoio a Israel entre os americanos está diminuindo de forma notável. Uma pesquisa recente mostra que mais da metade da população dos Estados Unidos tem uma visão desfavorável do país. Esta mudança ameaça a ajuda militar bilionária que Israel recebe tradicionalmente dos EUA, um cenário que antes parecia intocável. A relação especial entre os dois países passa por um momento de reavaliação. Isso gera impactos claros na política interna americana e nas futuras decisões de apoio.
A Queda do Apoio a Israel nos EUA
Dados recentes do Pew Research Center revelam uma transformação na percepção pública. Seis em cada dez americanos veem Israel de forma desfavorável. Este número representa um aumento de sete pontos percentuais em relação ao ano passado e quase vinte pontos desde 2022. Essa queda no apoio a Israel não é isolada; ela atinge diversos grupos da sociedade, mas se mostra mais intensa entre os jovens e os eleitores do Partido Democrata. O consenso bipartidário que sempre garantiu o fluxo de ajuda militar dos EUA para Israel agora enfrenta questionamentos sérios. A população americana mostra um descontentamento crescente com as guerras no Oriente Médio, especialmente em Gaza, no Líbano e no Irã. Isso influencia diretamente a imagem de Israel. Consequentemente, a pressão sobre os políticos para reconsiderar o apoio financeiro aumenta.
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Mudança de Percepção entre Grupos Específicos
A diminuição da popularidade de Israel é notada em todas as faixas etárias e espectros políticos, porém é particularmente forte entre os mais jovens e os democratas. Este grupo, atento às eleições de meio de mandato que vão definir a nova composição do Congresso em novembro, reflete diretamente a opinião pública. A insatisfação com as ações militares de Israel em regiões como Gaza tem moldado a visão desses eleitores. Uma prova disso veio com a votação de uma resolução do senador Bernie Sanders. A proposta visava bloquear a venda de equipamentos militares para Israel. Embora o Senado tenha rejeitado a medida, quarenta dos quarenta e sete democratas, todos candidatos nas próximas eleições, apoiaram a iniciativa. Este número contrasta fortemente com o cenário de um ano atrás, quando apenas quinze foram favoráveis. Isso demonstra um distanciamento claro e crescente.
O Voto no Senado e a Nova Realidade Política
As pesquisas de opinião mostram que a percepção dos americanos mudou de forma radical ao longo da última década. Há dez anos, por exemplo, o Instituto Gallup indicava que sessenta e dois por cento dos americanos apoiavam Israel, enquanto apenas quinze por cento apoiavam a Palestina. Atualmente, os números são bem diferentes. Os dados mais recentes apontam trinta e seis por cento de apoio a Israel e quarenta e um por cento de apoio aos palestinos. Esta inversão de tendências reflete uma profunda alteração na forma como os americanos veem o conflito no Oriente Médio.
Desconfiança em Líderes e Financiamento Político
Laura Silver, pesquisadora do Pew Research Center, aponta que a maioria dos adultos com menos de cinquenta anos, tanto democratas quanto republicanos, avalia negativamente Israel e seu primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. Além disso, a desconfiança em Netanyahu entre os democratas atingiu setenta e seis por cento, um aumento de seis pontos percentuais em um ano. Cinquenta e dois por cento afirmam não ter nenhuma confiança no premiê, um salto de trinta e sete por cento em relação ao ano anterior. Estes dados foram coletados um mês após o início da guerra entre EUA e Israel no Irã. Isso sublinha a rapidez e a intensidade da mudança de humor.
Impacto no Financiamento e na Política
Candidatos democratas, por sua vez, têm evitado buscar financiamento do Comitê de Assuntos Públicos Israelo-Americano (AIPAC), que se apresenta como bipartidário. Uma das vozes mais proeminentes nos apelos pelo fim do financiamento da ajuda militar a Israel é a de Rahm Emanuel. Ele foi chefe de Gabinete da Casa Branca, prefeito de Chicago e é cotado como pré-candidato democrata nas eleições presidenciais de 2028. Emanuel, de origem judaica, se posiciona como um ‘progressista responsável’ e questiona a continuidade do apoio. Durante o governo Obama, quando Emanuel estava na Casa Branca, os EUA destinaram um bilhão e trezentos milhões de dólares para o sistema de defesa Domo de Ferro. Esta ação evidencia a longa história de apoio que agora está sob escrutínio. Assim, a discussão sobre o apoio a Israel ganha força, com figuras políticas importantes pedindo uma revisão da política externa americana.
Este cenário mostra uma mudança fundamental na relação entre os EUA e Israel. O declínio no apoio público americano, especialmente entre grupos-chave, força os políticos a repensar a ajuda militar bilionária. As próximas eleições e as contínuas tensões no Oriente Médio devem manter este tema no centro do debate político, com consequências importantes para o futuro da diplomacia e da segurança internacional.
