O Brasil espera um aumento nas suas vendas para fora do país. Isso deve acontecer com o Acordo Mercosul-UE, um pacto comercial que está começando a valer. O vice-presidente Geraldo Alckmin disse que as exportações brasileiras podem subir 13% quando tudo estiver funcionando, lá por 2038. Para a indústria, o crescimento pode ser ainda maior, chegando a 26%.
A partir de 1º de maio, algumas regras do acordo já começam. Por exemplo, cerca de 5 mil produtos brasileiros não terão mais imposto para entrar na União Europeia. Essa isenção de tarifas é um passo importante. Contudo, o acordo ainda está em fase provisória, pois alguns países europeus, como a França, questionam pontos do tratado. Mesmo assim, a retirada de impostos entre os blocos será gradual, levando até 12 anos para ser completa.
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O que Muda com o Acordo Mercosul-UE
Setores como frutas, açúcar, carnes (bovina e de frango) podem sentir efeitos positivos. Alguns tipos de máquinas também terão impacto imediato. Alckmin, que participou das negociações, destacou esses pontos. Além disso, é importante notar que as compras do Brasil de produtos europeus também devem crescer. Hoje, o comércio entre Brasil e União Europeia movimenta cerca de 100 bilhões de dólares. A União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, ficando atrás apenas da China. Atualmente, a Europa tem um pequeno saldo positivo, de cerca de 500 milhões de dólares.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex) fez um cálculo. Ela prevê um aumento de até 1 bilhão de dólares na balança comercial brasileira. Isso deve ocorrer já no primeiro ano de validade do acordo. Ademais, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta para um crescimento no PIB brasileiro. Este aumento pode ser de 0,46% entre 2024 e 2040. Isso representa cerca de 9,3 bilhões de dólares a mais na economia. A causa são as reduções de impostos e as cotas de exportação.
Salvaguardas no Acordo Mercosul-UE: Proteção para Ambos os Lados
Apesar do otimismo, os europeus criaram regras de proteção rigorosas. Elas permitem suspender as importações se houver um aumento de 5% acima da média dos últimos três anos. Essa medida não agradou o setor agrícola brasileiro. Por conseguinte, o Brasil também aprovou regras parecidas para proteger seus mercados. Alckmin explicou que essas salvaguardas valem para os dois lados. Em outras palavras, se as importações de um produto subirem muito, tanto o Mercosul quanto a União Europeia podem pedir uma pausa temporária. Ele descreveu o acordo como equilibrado.
O Mercosul ficou sem assinar acordos comerciais importantes desde 2013. Nos últimos anos, porém, o bloco avançou. Por exemplo, além do acordo com a União Europeia, o Mercosul fechou parcerias com Cingapura. Ele também assinou com o bloco Efta, que inclui Suíça, Noruega, Liechtenstein e Islândia. O vice-presidente mencionou que o Brasil pode assinar mais acordos até o final deste ano. Nesse sentido, um exemplo é a parceria com os Emirados Árabes.
